A “RAVE” É A MINHA PARÓQUIA.

Uma coisa legal em Jesus é que ele rompia com a religiosidade e o tradicionalismo sem cerimônias. Em sua época e cultura, a religião pertencia ao “templo” e aos velhinhos e poderosos que tomavam conta do templo. Se alguém quisesse uma bênção, perdão ou aplacar algum sentimento de culpa, tinha que ir ao templo e pagar aos velhinhos por este serviço religioso.

Jesus acabou com esta lógica, pois era ele, em sua juventude, quem ia até as pessoas, e pior, ele as perdoava sem cobrar nada. Jesus saiu das quatro paredes do templo e foi onde o povo estava para levar a Palavra de Deus, assim, ele conversava com pessoas de todo o tipo. Os velhinhos do templo, trancados em suas quatro paredes, não gostavam nadinha daquela revolução herética. Jesus escandalizava os velhinhos do poder, pois comia, bebia e ia em festas: coisas pouco religiosas!
Engraçado que este padrão, inaugurado por Jesus, repete-se sempre na história do cristianismo. Teve um outro cara, um inglês, já no século XVIII, que também rompeu com a lógica de obrigar as pessoas irem para dentro de quatro paredes para receberem algo de Deus, mas ele deciciu sair fora e, como Cristo, saiu para pregar nas ruas, nas praças, nas fábricas, onde tivesse gente. Novamente, os velhinhos detentores do templo não gostaram dele estar imitando Jesus e muitos até falaram muito mal dele e de suas práticas “modernas” e “revolucionárias”, mas ele, John Wesley (tanto quanto Jesus), apesar de sofrer difamação, fez história.
Eu tive uma experiência muito legal no fim de semana que passou: Preguei o Evangelho numa “rave” (que para quem não sabe, trata-se de uma festa de música eletrônica). O grupo era grande, foi na cobertura de um shopping center, vários DJ’s, música boa, a platéia era composta de pessoas de várias religiões e alguns que não queriam perder tempo com religião, mas a maioria da turma era mesmo de evangélicos, inclusive alguns dos DJ’s. Cabelos coloridos, tatoos, roupas extravagantes e nada de drogas ou álcool. Lá pelas 3 da matina chamaram o pastor para pregar. Ele era eu. Me deram sete minutos. Que desafio gostoso! Que bênção não ser original e poder imitar descaradamente Jesus e Wesley, saindo das quatro paredes e indo onde os velhinhos do templo jamais iriam, não privando o mundo de bênção e perdão.

Assim, acabei não sendo nada original, pois como para meus mentores, naquela noite, o mundo foi a minha paróquia.
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