Aprendendo a caminhar com Deus: Um lindo testemunho!

Minha experiência com Deus, já que Ele quer que sejamos testemunhas, e não advogados.


Nasci em um lar católico, e por tradição fui batizado ainda bebê como filho de Deus, mas com certeza não teve nenhum significado pra mim, que não seja saber mais tarde que tinha padrinhos de batismo.
Lá pelos sete anos fiz um cursinho, do qual não me lembro de nada, mas sei que era a minha primeira comunhão.
Lá pelos 10 anos me lembro que tinha que ir às missas aos domingos, que participava de alguma forma dos cultos, mas ainda não sabia o que significavam aqueles cultos e rituais, além da festa ou  eventos sociais que eram aqueles encontros dominicais na pequena vila em que morava.

Lá pelos doze anos fui morar na casa do meu avô e ir a missa era uma obrigação , por sinal muito chata, e mesmo participando como coroinha, não me empolgavam nem um pouco.

Sempre achei as missas católicas muito chatas, e pra não ser totalmente sem sentido, valia para ver as meninas bonitas. Nunca tive nenhuma simpatia pelos padres, que eram muito mais autoridades do que pastores de almas.

A partir dos quatorze anos comecei a ter minhas dúvidas e questionar os ensinamentos que havia recebido, mas não tinha como ou a quem fazer as perguntas, tais como:

1- como que alguém poderia ter assistido o evento de Deus criando o mundo, e escrever em detalhes a cena, se Deus nem tinha criado o homem ainda?

2- da mesma forma como Deus expulsou Adão e Eva do paraíso apenas por ter comido uma maçã, e pra onde ele expulsou Adão se ele era o primeiro homem?

3- Porque usar métodos tão complicados para criar Adão e Eva, se Deus poderia criá-los de outra forma muito mais simples?

4- quem escreveu a Bíblia, e porque que aquele livro seria tão importante?

Acho que tinha mais dúvidas, mas as citadas já eram o bastante para me deixar bem perdido, e me afastar da Igreja Católica, de Deus, e de Jesus.

Lá pelos dezoito anos minha mãe é assassinada, e dá pra imaginar como foi terrível meu sofrimento, afinal eu queria pedir a Deus para diminuir meu sofrimento, mas como fazê-lo sem ter uma fé concreta? Como pedir a um Deus que eu não acreditava, que suavizasse aquele imenso sofrimento?

Nesta época eu me afastei mais ainda da Igreja e de Deus, meu coração ficou muito duro, e até insensível para os males do mundo, mas o destino me fez ingressar em uma Universidade Católica.

Durante três anos tive aulas de religião, e sem que eu me interessasse por estas aulas, que julgava não terem nenhum sentido, as respostas às minhas dúvidas chegaram até mim, pelo saudoso e culto Padre Aguiar, e de forma natural eu aprendi:

1- que obviamente ninguém havia assistido à criação do mundo, que a descrição era uma licença poética de alguém que imaginou como deve ter sido, e que isto não era importante, e sim o fato de se acreditar que um ser superior criou o mundo, afinal uma obra tão perfeita não poderia ser objeto do acaso.

2- quem escreveu a Bíblia queria dar uma explicação para o fato de Deus criar o homem, e para o fato de querer que os homens amassem uns aos outros e aprendessem a respeitar as leis.

3- pensando bem, quem escreveu a cena teatral da criação do mundo e do homem, foi um grande artista, pois para a época que escreveu, recursos disponíveis, foi uma grande sacada. Como os fatos realmente aconteceram não importa, e é bem mais fácil acreditar que foram da forma descrita do que nas teorias, também não comprovadas, do Big Bang e da evolução das espécies.

4- não fazia nenhuma diferença para a Igreja quem escreveu a Bíblia e sim as mensagens contidas nela, e então fiz as pazes com Deus e com a Igreja, e um belo dia, eu percebi que não foi por acaso, e que Deus deve ter ficado com pena de mim, e sabendo como eu era crítico, sabia que as respostas que eu procurava não iria encontrar por meio de pessoas de pouca cultura, já que eu nunca consegui acreditar simplesmente porque alguém acredita ou quer que eu acredite.

Alias, me lembro bem que eu às vezes chorava e pedia a Deus para que me mandasse respostas de uma forma convincente, porque eu achava que eu era igual a São Tomé, pois queria ver pra crer. Ele me mandou as respostas do jeito que eu pedi, e fiquei muito feliz.

À partir de então, passei a viver mais feliz e aos poucos fui me interessando por um homem chamado Jesus e gostava de ler tudo sobre ele. Pra mim ele era “o cara”, afinal passaram a contar o tempo a partir do seu nascimento, suas mensagens e ensinamentos nunca foram contestadas, etc.

Havia apenas um problema, que era lidar com os aspectos mais complexos, tais como: aceitar que Ele era o filho de Deus que veio até a terra, sofreu por nós para perdão dos nossos pecados, ressuscitou e voltou para o céu, onde está assentado à direita do Pai para julgar os vivo e os mortos.

Sobre isto eu disse durante muitos anos, que preferia não entrar neste mérito, afinal acreditar nestas afirmações exigia de mim uma crença em algo totalmente fora de minha criação e educação, afinal sou engenheiro e sou muito ligado à lógica racional. Lidar com milagres, com o espiritual e com o esotérico necessita de experiências que, sempre que pude, mantive a distância prudente e nunca duvidei de nada.

Até que, cinco anos atrás, já aos cinqüenta anos de idade, precisei fazer uma cirurgia. A cirurgia era para retirar um câncer no intestino. Por recomendação de um amigo, procurei um centro espírita e fiz uma cirurgia espiritual, que julguei não deu certo porque eu não tinha merecimento para receber a cura. Marquei a cirurgia que deveria ser uma videolaparoscopia com expectativa de receber alta em apenas uma semana.
A cirurgia não deu certo e após 15 dias eu estava praticamente condenado a morrer com uma infecção generalizada após ter que refazer a cirurgia. Na véspera da segunda cirurgia, praticamente me despedi dos meus parentes e esposa, e fui pra UTI aguardar a operação.

Na noite da cirurgia estava tenso e preocupado, e após os procedimentos me lembro muito bem que no momento que me encaminharam da UTI pra a sala de cirurgia: Algo inexplicável aconteceu.

Sem que eu entendesse, de repente toda a angústia e temor que eram muito presentes, após a oração de um pastor, se afastaram de mim e eu fui pra cirurgia com uma tranquilidade e paz inexplicáveis.

Assim que retornei pra o quarto e recebi a visita de minha esposa, ouvi um relato que me deixou muito impressionado. Ela me contou que na noite da cirurgia também estava muito angustiada e sofrendo muito e chorava, quando deitada começou a orar e a pedir a Deus por minha vida. Disse-me que teve um sonho ou uma visão de que Jesus falava com ela, e disse a ela que não ficasse preocupada, pois Ele estava cuidando de mim, e que tudo daria certo. Disse que Ele segurava na minha mão.

Quando ela me disse isto, minha ficha caiu e imediatamente eu liguei os fatos, tudo tinha acontecido no mesmo tempo, e percebi que algo sobrenatural havia acontecido, e pra minha surpresa, independentemente de eu ter pedido a Deus para mudar o ruma da historia, pois até aquela data eu achava que pra pedir algo eu deveria merecer, e não me julgava muito merecedor, e que ter fé seria aceitar resignado as adversidades.

Poucos dias depois recebo a visita de um tio da minha esposa que não conhecia. Ele morava longe do hospital, não me conhecia, e a visita foi feita às 23h. o que era uma grande surpresa. Chegou, me cumprimentou, conversou um pouco e orou por minha saúde, e pela primeira vez eu comecei a perceber que Jesus estava realmente disposto me mostrar coisas que eu desconhecia. Que tipo de comportamento era aquele que podia fazer uma pessoa sair do conforto de seu lar bem tarde, viajar alguns quilômetros para orar pela saúde de um desconhecido sem nada em troca?

Mais alguns dias, com minha amizade com as enfermeiras, uma delas foi me atender e aproveitou para se despedir, pois iria passar alguns dias de férias. Depois de me atender, me disse que me contaria um fato acontecido no dia anterior em seu outro emprego: Ela atendia no Pronto Socorro do Aeroporto de Brasília quando uma senhora que fazia seu check-in, passou mal, e ao ser atendida, faleceu , apos todos os esforços do médico de plantão.
Assim que concluiu que não havia mais nada a fazer, ela perguntou ao médico quais os procedimentos e este recomendou que chamasse o Instituto Médico Legal enquanto providenciava Atestado de Óbito, mas neste momento uma senhora entrou no recinto e começou a orar. Em seguida ela percebeu que o cadáver estava se mexendo e chamou o médico que retomou os procedimentos de atendimento. Após o atendimento ela perguntou ao médico como explicar o fato, ao que ele respondeu: “Somente Deus tem a resposta”.

Luciano, meu irmão caçula, que iniciava sua nova atividade como pastor voluntário, me ensinou que o amor de Deus não esta relacionado com merecimento, e que pelo critério do merecimento não conseguiríamos entender o amor de Deus.

Minha esposa tão magoada com meu comportamento egoísta de então, dormiu quase todas as noites ao meu lado no hospital numa demonstração de amor, que começava a mudar meus conceitos. Para quem nunca tinha tido nenhuma experiência parecida, eu comecei a achar que Deus estava pegando pesado comigo, afinal os fatos vinham se somando tão próximos um do outro.

Mais alguns dias se passaram e finalmente recebi alta do hospital, com uma bolsa de colostomia e uma grande confusão na cabeça, pois não sabia de que forma aqueles fatos iriam mudar a minha vida, se era o começo ou o fim das mudanças.

Voltei a trabalhar, jogar futebol, e aos problemas causados pelo afastamento prolongado dos negócios. Perdi bons contratos, demiti muitos funcionários, outra empresa, que era da minha esposa e da minha filha faliu, e junto com esta falência comercial, também faliu meu relacionamento com as duas. O fim das empresas me atingiu, o afastamento de minha filha também, mas o fim do casamento eu realmente não esperava que causasse tanta falta.

Para não desistir da vida, e sobreviver aos sofrimentos, comecei a freqüentar igrejas, e por coincidência, nesta mesma época, meu irmão se consagrou pastor metodista e começava as atividades de uma igreja. Sentia-me bem indo aos cultos e ouvia as mensagens de Jesus, a respeito do significado do amor, e, aí sim eu acho que começou em mim as mudanças que fizeram a diferença.

Eu já havia resolvido as primeiras questões com a Bíblia, já havia resolvido parcialmente minhas experiências exotéricas com Jesus, e iniciava a aproximação com uma vida cristã, que eu comecei a ver que não era só de ganhos. Na medida em que entendia o amor de Deus e as mensagens de Jesus, eu também percebia que deveria abrir mão de uma vida de prazeres e egoísta.

Apesar do grande amor existente entre eu minha ex-mulher, o principal motivo do nosso afastamento era exatamente o meu egoísmo, e o primeiro passo para demonstrar meu amor por ela, foi abrir mão deste egoísmo.

Quando falávamos de nosso relacionamento eu dizia a ela que queria que ela fosse feliz, mesmo que fosse com outra pessoa, ou longe de mim, e dei provas deste desprendimento diversas vezes, colaborando com ela na separação ou nos negócios, independentemente do fato de ela querer ou não reatar nosso relacionamento. Esta força eu obtive nos cultos e nos ensinamentos de Jesus, e comecei a mudar toda minha vida nesta direção do verdadeiro amor, que é como o amor da mãe pelo filho, ou seja , sempre incondicional.

Finalmente aprendi que Deus me ama com meus defeitos, e de forma também incondicional, que não precisa de mim, e apenas eu preciso Dele. Aprendi que Ele não me manda castigos, e que pode atender meus pedidos independentemente de merecimentos, afinal quem sou eu pra saber se mereço ou não, se são justos ou não meus pedidos.

Aprendi também que Deus quer que eu tenha uma vida de amor, com amor, e para o amor, e que Deus é a essência deste amor, e finalmente entendi o maior ensinamento:

“Ame seu vizinho assim como você ama a si mesmo”.

E assim, com a certeza de que tenho muito ainda a melhorar, vou vivendo com esta paz de saber que estou, enfim, seguindo o caminho que Ele me ensinou, com minhas fraquezas, defeitos, mas a certeza de que escolhi este caminho e quero seguir nele para sempre.

Ainda tenho dificuldades com alguns temas complexos como o PAI, FILHO, e ESPÍRITO SANTO, com a existência de DEMÔNIOS, com céu e inferno e com o quando e como será o julgamento final, onde serão julgados os vivos e os mortos, mas ainda chego lá, e isto pode ser tema para mais frente.

Brasília ‘ 2011
Marcos Marques Maia*

*Marcos é o irmão mais velho do Pr. Luciano Maia.
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