A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes

Jesus nunca prometeu vida fácil a ninguém. Nunca disse que as pessoas que o seguissem teriam vida boa, sucesso, saúde, grana e mulherada. Jesus não prometeu tesouros para este tempo ou para este mundo. Ao contrário, disse que Ele não tinha sequer lugar para recostar a cabeça e que aqueles que o seguissem deveriam também estar dispostos a abrirem mão de luxos temporários em favor do amor às pessoas.
Jesus não prometeu carro novo.
Não prometeu casamento fabuloso nem os melhores empregos.
Se algum religioso anda prometendo estas coisas, ou não entendeu o discurso de Cristo, ou não está falando em nome dele.
A juventude é uma fase cheia de descobertas e a vida nos reserva grandes alegrias, mas ela não é “uma banda numa [eterna] propaganda de refrigerantes”, como ironizou Humberto Gessinger.
Jesus foi um homem de aflições. Um filho ilegítimo de José. Filho de mãe solteira, Maria, que somente não foi humilhada publicamente como sendo uma adúltera vadia porque um anjo apareceu num sonho para José, seu noivo, e o convenceu a assumir a criança que não era dele. Desde muito cedo Jesus sempre soube que José não era seu pai legítimo, nem por isso deixou de obedecê-lo e trabalhar na oficina do padrasto.

Mesmo depois de adulto, por vocação compulsória, teve que abrir mão de uma vida “normal”: Namorada, profissão, noiva, casamento, filhos… Abrir mão de coisas que todos sonham em nome de um ministério itinerante. Andou por toda a Judéia e Galiléia, como um andarilho que vivia de favores por onde passava: dormia na casa de estranhos e em lugares estranhos. Comia o que ganhava. Não possuía bens, ao contrário de muitos de nós, seus seguidores da atualidade. Ele não buscava “um cavalo do ano” ou “uma bata de griffe”. Gastava o seu tempo não para si, mas para outros.

Morreu de uma forma humilhante! Cuspido, nu e sozinho! Penso que tão doída quanto a dor das chicotadas foi a dor da rejeição, a dor do abandono daqueles amigos que caminharam com Ele, que prometeram estar sempre com Ele e que espontaneamente juraram fidelidade, mas que, na hora da aflição, preferiram salvar a própria pele e deixar o amigo largado à própria sorte. Dor na alma!

Jesus foi um homem de aflições e afirmou: “No mundo vocês terão aflições, mas animem-se, pois eu venci o mundo”.

Jesus não prometeu vida fácil, mas prometeu aflições. Aliás, não foi uma promessa, no sentido profético, mas um alerta, com que dizendo: “Não se enganem. Não pensem que esta vida não reserva aflições para todos os que estão vivos”. Sim, as aflições são parte da vida. Por vezes todos passamos por algum tipo de aflição, desde a enfermidade de um filho, ou desemprego à morte de um parente.

“Mas tenham bom ânimo!”. A forma que Jesus encontrou para nos animar ante as aflições que passaremos não foi prometendo uma vida sem aflições, muito menos prometendo bênçãos materiais ou dizendo que as aflições seriam bem rapidinhas. Jesus nos animou dizendo “eu venci o mundo”. O que isto significa? Significa que o local onde as aflições acontecem, o mundo, é um locus transitório. Segundo Jesus: “O mundo jaz no maligno” e “o diabo é o príncipe deste mundo”… Assim sendo, aflição por aqui, rola abundantemente!

O mundo não é um fim em si mesmo. As coisas e a vida não se extinguem por aqui ou então as aflições seriam insuportáveis e a existência absolutamente sem qualquer sentido. Mas, ao sabermos que este mundo foi vencido (quando vencido foi o seu príncipe), temos fé na existência de e em outro lugar, onde não é a habitação da aflição, nem do choro ou da tristeza. Jesus venceu o mundo onde jaz a aflição. Ele não venceu a aflição. A existência daqueles que crêem e servem a Jesus de Nazaré não se encerra neste mundo, mas é uma existência eterna, perpétua, perene, que mística e metafisicamente extrapola os limites do tempo e do espaço, deixando o este mundo das aflições para trás e rompendo noutra existência, na qual a aflição não tem essência, posto a aflição ter residência neste mundo de aparência.

Neste sentido, a morte deixa de ser uma crise ou pânico, mas algo bom. Revoltar-se contra Deus porque alguém completou o seu ciclo de vida passa a ser uma demonstração de falta de amor àquela pessoa, pois se a quero perpetuamente neste mundo de aflições, não a quero em lugar de alegrias. Se não a quero no lugar das alegrias eternas é porque estou sendo egoísta e a quero para mim, mesmo que isto signifique uma vivência de aflições para ela. Assim, de fato, eu não amo aquela pessoa, mas eu amo a mim mesmo, tanto me amo que não quero sofrer a ausência.

Para o apóstolo Paulo “morrer era lucro e viver era Cristo”.

Felicidade somente noutra vida? Sim, felicidade integral não mora neste mundo, posto a aflição ter feito dele sua casa. Enquanto a viagem para o além não tiver seu horário confirmado, a gente vai tentando fazer desta estação um lugar um pouco melhor, buscando formas para minimizar as aflições de alguns, por meio do amor e ensinando muitos a terem expectativas adequadas com relação a esta existência, sabendo que a paz e a felicidade idílicas são coisas de outro mundo e que, paradoxalmente, a morte nos conduz à verdadeira vida.

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Hora da despressurizarão mental!

E por falar em AFLIÇÃO… Imaginem a aflição que Eva sentiu ao ter este épico encontro com Adão… Certamente, muito aflita!

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