Motivação mata?

 

Ser uma pessoa religiosa não é garantia de salvação. Ser uma pessoa que cumpre cabalmente todos os mandamentos da Bíblia, também não é garantia de perdão.  Aí está a revolta do religioso e do legalista: Deus não salva por meio da lei, posto Deus não ser legalista e nem religioso. Deus é amor.

Amor é um estilo de vida. É um jeito de ser mais forte que a religião. Por ser estilo de vida, o amor é encontrado também fora da religião.

Alguém que não tem religião pode demonstrar amor por outra pessoa? Sim, claro! Se o não religioso tem amor dentro de si ele tem, portanto, Deus em seu coração, pois “Deus é amor”.

Sendo Deus amor, logo, mesmo pessoas não-cristãs e não religiosas podem possuir Deus dentro delas, pois Deus não é religião (normas, regras e liturgias), mas, amor.

O legalista gostaria que Deus fosse religioso, mas Ele não é. Ele é amor!

A religião desenha deuses religiosos:

O deus adventista não deixa trabalhar no sábado. O deus episcopal não faz milagres. O deus metodista não deixa beber vinho. O deus assembleiano (até pouco tempo) não deixava homem usar barba.

Mas Jesus colhia espigas aos sábados, dava vista aos cegos, fabricava e bebia vinho e usava barbas, portanto, não poderia pertencer a nenhuma destas religiões. Sim, excluído Jesus seria destas e de muitas, muitas outras religiões.

Se Deus não é legalista e seu critério de avaliação é, portanto, a fé e o amor (e não o bom comportamento), o pecado não mais reside no não cumprimento da lei. Deus é amor, portanto, Ele julga pelas intenções do coração… Desespero dos legalistas. Para um legalista, o ideal é ter uma lei: cumprindo a regra, estaríamos “absolvidos”. Não sendo Deus um legalista, mas sendo amor, Ele julga pela lei do amor, a saber, a lei das motivações.

Motivações são as intenções que movem as profundezas do nosso coração.

As intenções movem nossa história, ações e reações. Nossas motivações podem ser nobres ou plebéias. Elas nem sempre são claras para os outros. Muitas vezes nossas reais intenções não são claras sequer para nós mesmos.

Sendo Deus amor e não julgando por leis religiosas, mas pela “lei do amor”, o que passa a valer no tribunal metafísico são nossas reais motivações: intenções que residem nas profundezas da alma. Assim, não somos condenados ou absolvidos, necessariamente por nossas ações, mas por nossas motivações.

Assim, um indivíduo pode aparentar boa intenção ao contribuir com alguma obra de cunho social (alguém que faz doações monetárias para uma creche, por exemplo), mas talvez sua motivação não seja simplesmente auxiliar os menos favorecidos. Aos nossos olhos, atitudes altruístas como esta são dignas de louvor, contudo, o que se passa no coração deste indivíduo? Quais são os reais estímulos?

Se o seu estímulo for tentar mostrar para Deus que não é uma pessoa tão má, ele está fingindo:  transparece que está pensando no próximo, mas está pensando em si mesmo. Esta doação está sendo realizada por interesse próprio e as intenções reais não são coincidentes com as intenções aparentes, portanto, é o pecado da hipocrisia.

Se o estímulo for permitir que outros vejam ou fiquem sabendo destas doações e, assim, admirem ou até a elogiem, o indivíduo, ao doar, está pecando pois a motivação é chamar atenção para si. Este é o pecado da vaidade. Disse Jesus: “Que sua mão direita não veja o que a sua mão esquerda dá.”

Se o estímulo for evoluir espiritualmente, o indivíduo não está,de fato,  amando o próximo, mas está amando a si mesmo, portanto, cometendo o pecado do egoísmo.

A creche será beneficiada pela boa ação, mas ao fazê-la, o doador está, paradoxalmente, pecando, pois, nos exemplos citados, os estímulos são pecaminosos. Devemos auxiliar creches, asilos ou programas sociais por amor ao próximo (lei do amor), sem qualquer tipo de interesse ou expectativa de retorno.

Ser pastor é pecado? Sim, claro que pode ser pecado! O que define o pecado é o estímulo. Portanto, se o indivíduo, no fundo do seu coração, quer ser um líder religioso para receber honrarias, está cometendo o pecado da vaidade.

Se quer ser líder religioso para ser respeitado ou para ter poder e autoridade sobre pessoas, comete o pecado da arrogância. Se alguém deseja ser bispo porque o salário é melhor, está cometendo o pecado da ganância. O pecado está não no fato ou no ato, mas no estímulo! Contudo, se o desejo do coração for somente servir, ser pastor passa, neste caso, a ser um objetivo nobre e… Não é pecado!

Dançar é pecado? Depende! Qual é o estímulo? Se a intenção for usar na dança toda a sensualidade para deixar excitada a platéia do sexo oposto, neste caso sim, este é o pecado da luxúria ou da defraudação sexual (pois não há intenção em satisfazer o desejo desenvolvido nos outros). Mas se a intenção for apenas o lazer e a alegria da alma, meu estímulo é nobre: posso dançar com meu cônjuge ou minha namorada. Posso “até” dançar a valsa com a aniversariante de 15 anos! Não é pecado! Eu conheço pessoas que não dançam, mas que pecam… Como? Julgando as que dançam.

 

Comprar sapatos é pecado?

Desejar ter um cargo na igreja é pecado?

Tatuagem é pecado?

Querer passar num concurso é pecado?

Comprar um carro novo é pecado?

 

Ser uma pessoa religiosa não é garantia de salvação. Ser uma pessoa que cumpre cabalmente todos os mandamentos da Bíblia, também não é garantia de perdão. Nestes tempos, nos quais a lei caducou e não mais é base para Deus julgar, o que manda é o amor, ou seja, são nossos reais estímulos que definem a inocência ou a pecaminosidade dos atos, pois Tito ensina que “Tudo é puro para os que são puros; mas nada é puro para os impuros e descrentes, pois a mente e a consciência deles estão sujas.” (Tito, 1:15). Simples assim!

 

Analise seus estímulos!

“Porque, com Cristo, a lei chegou ao fim, e assim os que crêem é que são aceitos por Deus. Se você disser com a sua boca: “Jesus é Senhor” e no seu coração crer que Deus ressuscitou Jesus, você será salvo. Porque nós cremos com o coração e somos aceitos por Deus; falamos com a boca e assim somos salvos.” Paulo em sua carta aos Romanos, 10:4-10

 

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No Reino Unido, a Ecotricity quer promover a energia renovável com uma campanha de mídias sociais que pede o boicote das seis principais companhias elétricas da região.

E essa iniciativa, chamada “Dump The Big Six”, já garantiu a atenção instantânea das pessoas com o vídeo abaixo.

Agora só não sei se é para boicotar a energia suja ou para ficar com dó das chaminés. Pô, tinha duas ali só tranquilamente tomando chá. Contudo, a pergunta essencial é: qual a motivação central da Ecotricity? Vender energia limpa ou vendera sua energia?

 

 

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