VÍTIMA ALGOZ

Muitas vezes que pude aconselhar casais em crise conjugal saí com a sensação de que se tratavam de duas vítimas. “Quem é o culpado pela crise?”, poderia alguém perguntar. Mas muitas vezes respondo: “Ambos são vítimas… Ambos são algozes…”

Hoje tive um almoço com um amigo que está atravessando um destes momentos em sua vida conjugal. Saio emocionalmente destruído de um encontro destes, mas saio espiritualmente fortalecido, já que durante o bate-papo não paro de orar: “Senhor… O que dizer?”. Graças a Deus que sempre nos orienta o que dizer ou não dizer.

Jesus falou tanto de perdoar os outros por conta deste paradoxo existencial: No palco da vida, todos atuamos nos dois papéis – o de algoz e o de vítima – alternando-os constantemente.

Não há quem não tenha feito alguém sofrer neste mundo, de uma ou de outra forma, em maior ou menor grau. Todos nós já fofocamos, já rimos pelas costas, já tiramos sarro, já nos orgulhamos de nunca ter feito nada disto, já nos orgulhamos de sermos religiosos, já idolatramos nossa religião (que certamente é a melhor, certo?). Todos já mentimos pros pais, pro patrão, pro guarda, pro Estado. Todos já mentimos dizendo que não mentimos nunca. Todos já rimos de um erro alheio, preferimos determinada companhia em detrimento de outra, já recusamos atender a um telefonema ou mandamos dizer que não estamos. Certamente que alguém já sofreu de amor ou paixão por nós…

Sim, todos já fomos algozes. Todos, em algum momento, poderíamos ter sentado no banco dos réus. Todos já tivemos alguma culpa.

Assim como já fizemos tudo isto para outros, certamente que outros também já o fizeram a nós. Mas, como diz o ditado: “Quem bate esquece, mas quem apanha não se esquece.” Facilmente nos esquecemos de quem fizemos sofrer. Aliás, muitas vezes desconhecemos que fizemos alguém sofrer. Entretanto, os que nos fizeram sofrer… Ai… Como dói, como guardamos… Como desejamos a vingança de Deus – que mascaramos com o adjetivo de “justiça de Deus”.

Muitas vezes reclamamos a justiça de Deus quando nos enxergamos como vítimas, mas se Deus fosse usar de “justiça” conosco em todas as circunstâncias que fomos ou que somos algozes, certamente que nós já teríamos encerrado a carreira. Como diz a Bíblia: “A misericórdia de Deus é o motivo pelo qual ainda não fomos consumidos.”

Graças a Deus pela misericórdia Dele, que perdoa nossos inimigos, não imputando a eles a desgraça que desejamos a eles, pois, se assim fosse, nós, seríamos também banidos, pois nos enxergamos vítimas, mas outros já nos viram no papel de algozes.

E aí? Vamos perdoar e sermos perdoados?
Ou prefere que Deus julgue os seus erros?

“Perdoai as nossas ofensas, do jeito que nós temos perdoado aos que nos tem ofendido…”
E aí? Vamos continuar na velha e boa hipocrisia ao orarmos o “Pai Nosso”?.

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Nesse filme publicitário, o personagem – um ratinho – nos surpreende, pois de algoz, vira vítima, mas volta a ser o algoz novamente, encarnando o anti-herói. Confira!
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