FELIZ NATAL PRA MIM !

Natal é tempo de amar. Tempo de compartilhar. Tempo de doar. No Natal as pessoas tendem a ficar mais sensíveis com a dor do próximo. Natal é hora certa para fazer doações, para dar brinquedos velhos, roupas que não mais nos servem. Natal é tempo de desembagulhar a casa. Natal é tempo de lembrar-se dos menos afortunados…

E quando não é Natal? Se não for Natal, portanto, não é tempo de amor e de fraternidade, não é tempo de doações e de bondade. Se não for natal, não é tempo de fazer doações e nem de lembrar-se dos desafortunados.

Em geral, nesta época do ano, quando as pessoas ajudam as outras estão buscando fazer um bem mais para si mesmas do que para os outros. Muitas pessoas fazem suas doações não necessariamente porque amam o próximo, mas porque amam a si mesmas e desejam tirar da consciência toda a culpa de serem bem vividas, bem criadas e afortunadas. Necessitam aplacar a culpa de estarem mais “abençoadas” que muitos.

Dar ao necessitado uma única vez por ano um pouquinho do que está sobrando é uma maneira de dizer a si mesmo: “Veja, eu sou um cara legal!”. Uma paradoxal forma de amar a si mesmo, tirando do depósito o que não tem serventia ou tirando da conta corrente o que não fará falta alguma e compulsoriamente tirando das costas qualquer culpa por não ter sido altruísta nos outros onze meses do ano. Muitas vezes ajudamos não para que o outro tenha, mas para que nós tenhamos um sono tranqüilo, com a consciência limpa.

Evangelho é amar o próximo o ano todo e não amar a si mesmo no Natal, ofertando a doação que inconscientemente funciona como um aplacador da própria culpa.

O ser humano no geral é assim: ama a si mesmo e ama menos o outro. Assim é a maioria de nós, tanto que Jesus teve que ensinar que devemos amar o outro. Se amássemos o outro naturalmente, não haveria necessidade deste ensino de Jesus, já que, por definição, Deus só nos manda fazer aquilo que, de fato, não fazemos. O mandamento é uma forma de corrigir uma distorção comportamental.

Os Espíritas são mestres em ajudar o próximo. Eu acho isto sensacional. Não ajudam só no Natal, mas o fazem o ano todo. Quem dera todas as religiões assim o fizessem. Mas, no espiritismo, há também um paradoxo essencial que coincide com o que até  aqui estou dizendo, ou seja: Muitos Espíritas não ajudam o outro necessariamente porque amam o próximo, mas porque amam a si mesmos. Explico: como na doutrina Espírita para “evoluirmos” temos que ajudar o próximo, os Espíritas ajudam os outros (e são mestres na caridade) porque querem “evoluir”. Querem ser bons para merecerem uma vida melhor na próxima encarnação. Estão, na verdade, pensando em si mesmos, no próprio conforto espiritual e desenvolvimento metafísico. Neste caso, o gesto de caridade continua nobre, mas a motivação é egoísta e pobre, pois de fato, este Espírita está ajudando a si mesmo.

Não é assim que Jesus ensina. Jesus orienta a amar o próximo porque Deus o ama. Doar porque Deus nos doa. Fazer ao outro aquilo que queremos que nos façam, não por interesse ou para receber algo em troca ou para barganhar com Deus, ou para dizer a si mesmo que é melhor que os outros, nem para evoluir numa escala espiritual imaginária, nem para “merecer” de Deus alguma coisa ou por uma paradoxal arrogância humilde e muito menos para aplacar a culpa de ser um “abençoado”; mas Jesus ensina que devemos fazer ao outro aquilo que queremos que nos façam e não fazer ao outro o que não queremos receber. Jesus nos ensina a não pagarmos o mal com o mal, mas o mal como bem. Sermos bons simplesmente porque Deus é bom, sem esperar nada em troca. Isto é amor desinteressado.

O amor caridoso deve ser uma marca do nosso comportamento cotidiano. Um estilo de vida mais que um comportamento religioso; uma atitude que deve estar presente em nossas vidas não apenas no Natal, pois assim esta seria uma atitude hipócrita, de uma espiritualidade rasa, barata, interesseira e desprovida de amor.

Não é ruim que o amor caridoso esteja presente em dezembro, mas é melhor quando ele está presente em nossos corações de janeiro a novembro.

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Agora, para descontrair, uma musiquinha de amor que fez muito sucesso este ano: “I´m Yours” de Jason Mraz, executada de uma maneira muito lindinha!!! Divirta-se com este japinha.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=ErMWX–UJZ4]

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Neste Natal fomos dar presentes para necessitados. Sabemos que não resolvemos a questão social do Brasil e não alteramos a realidade de vida destas pessoas, mas uma coisa sabemos: Pobres são como nós, ou seja, também gostam de ganhar presentes e ficam muito alegres quando são surpreendidos e abençoados.
Abaixo uma foto numa comunidade chamada “Curral”.

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