CRISE CONJUGAL – Manual Prático para Jovens

Minha posição de pastor de almas me concede um olhar privilegiado dos relacionamentos conjugais que me rodeiam.

Quando somos “profissionais da alma” (terapeutas, padres, pastores, psicanalistas…) temos sempre nossos ouvidos mais abertos, nossas bocas mais fechadas e as pessoas sempre nos contam seus íntimos segredos, fobias, punções, angústias, sonhos frustrados e futuros e, não raro, nos contam suas intimidades conjugais.

Sempre penso sobre o que me contam, observo os relacionamentos e percebo que, majoritariamente, a reclamação é parecida: “Ele (ou ela) não me atende em minhas necessidades”.

No geral as pessoas reclamam de sonhos frustrados. Reclamam que o cônjuge não é “assim ou assado”, não faz isto ou aquilo. As pessoas olham para suas necessidades e expectativas e se frustram porque o outro não é (ou não foi) capaz de satisfazê-las.

O conselho mais desejado é: “Você ‘merece’ ser feliz, portanto, separa-se e busque outra pessoa que possa te fazer feliz”.

De fato, não existe nem nunca existirá um casamento perfeito. Desde o primeiro casal (Adão e Eva), pessoas fazem coisas escondidas do cônjuge. No primeiro casal tipificado já vemos que o defeito de um trouxe conseqüências para os dois. Jamais existirá um casal perfeito por uma razão simples: Não existem pessoas perfeitas.

Sonhar com casamento do tipo “conto de fadas” é uma imbecilidade. Tentar dizer para uma jovem que o casamento dela será um conto de fadas é de uma crueldade sem fim. Normalmente as pessoas casadas contam para as solteiras as benesses do casamento e omitem que rotina sempre existirá: Ninguém vive num parque de diversões a vida toda.

Mães ou pais que querem ver suas filhas “bem encaminhadas”, são capazes de omitir o fato que, provavelmente, após o segundo filho, o corpinho de violino despencará e ficará mais próximo de um violoncelo. Estas coisas nem sempre são ditas, quando muito, inferidas.

Não existe gente perfeita, portanto, o óbvio é que ao juntarmos dois imperfeitos, teremos um conjunto imperfeito. Ao juntarmos duas pessoas com defeitos e as colocarmos no mesmo teto, teremos uma soma de defeitos, uma multiplicação de falhas, uma potencialização de manias… Não teremos uma divisão de erros ou falhas, o que nos levaria ao que existe apenas no mundo da literatura infantil ou do cinema hollywoodiano: casamentos perfeitos.

Assim, ter a expectativa de que qualquer casamento possa ser uma piscina de espumante, é algo irracional e infantil.

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Erros comuns a serem evitados

Primeiro Erro: Entrar num relacionamento crendo em Papai-Noel, Duendes e Casamentos Perfeitos.

Gente, acorda! Você tem defeito hoje e os continuará tendo após colocar no dedo uma aliança de ouro. Nem a sua nem a personalidade da pessoa que subir ao altar com você mudará num passe de mágica após as bênçãos do celebrante. Portanto, a expectativa normal é que se você escolher subir no altar com um homem mulherengo, você descerá com um mulherengo. Se você subir com uma mulher mal-humorada e que não gosta de cozinhar para você, você descerá com uma mulher que queima o arroz e ainda briga com você. Pregar que pessoas mudam quando se casam é irresponsável e cruel. Pessoas demoram muito para mudar, caso queiram fazê-lo. Alguns defeitos podem ficar até piores e outros defeitos desconhecidos anteriormente podem surgir. Existe um grande abismo que separa o comportamento social do comportamento na intimidade. Já ouvi um ditado que diz que nós não conhecemos alguém quando nos casamos com ela, mas sim, quando nos separamos dela. Portanto, saiba que ao fazer a escolha de casar-se com aquela pessoa que tem todos aqueles defeitos que você sabe, você está escolhendo conviver com tais defeitos e você terá de ter paciência até que o outro decida mudar, caso o outro decida mudar. Após a decisão, virá novo tempo: o da tentativa de mudança. Não se engane: seu namorado ou namorada será no casamento quem já é hoje, portanto, se você já não tolera determinados aspectos da pessoa, pra que estender o sofrimento por meio de uma aliança nos dedos?

Segundo Erro: Criar expectativas grandes demais para o casamento.

Gente, casar é dividir teto, dividir contas, dividir cama, dividir sonhos, dividir rotina. Não existe uma pessoa normal cuja vida seja apenas festa (excetuando artistas excêntricos que acabam por morrer prematuramente). A vida e o casamento são feitos de momentos agradáveis, festas e sorrisos uma parte do tempo. Outra parte do tempo é feito de rotinas, trabalho, louças, roupas sujas, bebês com febre de madrugada, lâmpadas queimadas e, por vezes, alguns sofrimentos que fugirão ao nosso controle. São coisas da vida. Tanto a vida de solteiro quanto a de casado é boa quando temos expectativas realistas e não somos sonhadores demais. Se a expectativa está ajustada, tudo passa a ser bom e estar casado não é um fardo.

Terceiro Erro: Olhar somente para si.

É muito comum eu ouvir de pessoas que querem separar-se porque o outro não mais a satisfaz (emocionalmente, sexualmente, financeiramente ou seja lá o que for). Percebo que muitas pessoas que se casam, o fazem para serem atendidas em suas necessidades. Neste raciocínio, é o outro que tem que me atender, como uma pessoa-objeto. É o outro que tem que me dar atenção. É o outro que tem que satisfazer minhas necessidades emocionais ou sexuais. É o outro que tem que olhar pra mim. Assim, na verdade, não estamos nos casando por amor ao outro, mas por amor a nós mesmos. Não estamos buscando o bem do “próximo”, mas sim nosso próprio bem. Neste estilo de vida conjugal há um constante cabo-de-guerra onde cada um puxa a corda para o seu lado: Brigas e discussões! Se EU estou feliz na relação: ótimo. Se EU não estou feliz: Adeus!

Isto não é amor. Isto é egoísmo.

Se eu não estou pronto para abrir mão de coisas, sonhos e desejos, não devo me casar. Ou, ao contrário, devo me casar comigo mesmo e ter a certeza que EU me darei todos os presentes que eu quiser, verei apenas os filmes que EU gosto e pintarei a parede da minha sala da cor que EU quero. Ambos devem desejar satisfazer o desejo do outro e ambos devem abrir mão de coisas e sonhos, assim, poderemos alcançar um equilíbrio verdadeiro, onde meu desejo é também a satisfação do outro. Quando apenas um abre mão, a relação fica desequilibrada e quando apenas um é feliz, a relação também não é feliz. Aconselhei um homem que, depois de tanto abrir mão, passou a sentir-se como um intruso dentro de sua própria casa. Num dia, ele simplesmente fez a mala e foi-se embora. Aquela esposa ganhou todas as discussões… Mas perdeu o casamento.

Quarto Erro: Confundir amor com paixão.

Paixão é menos do que amor. É fogo de palha, começa muito intenso, mas acaba com a mesma rapidez. O amor é uma árdua conquista.

“A paixão é obra do acaso, brincadeira dos deuses”, escreveu o psicanalista austríaco Erich Fromm, estudioso do assunto.

“O amor tudo sofre, tudo suporta, tudo espera, tudo crê. O amor jamais acaba…”, escreveu o teólogo Paulo de Tarso, especialista no assunto.

Conheço uma pessoa que quis terminar seu casamento porque dizia que não mais estava apaixonada pelo marido. Que não sentia mais aquele fogo intenso quando o via… Pobre alma… Não teve o privilégio de ver sua paixão adolescente evoluir para o amor adulto, sentimento equilibrado, calmo, compassivo, doador, que olha pro outro e que jamais acaba…

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Por minhas palavras, você pode até pensar que eu não seja um entusiasta do casamento, mas ao contrário, casei-me jovem, aos 23 anos e ainda estou com a mesma esposa já há 20 anos, pessoa que aprendi a amar. É bom construir juntos. Minha angústia é ver tantas pessoas que querem comprometer-se com outras pensando que casamento é apenas namorar pelado… Não basta ter certeza dos seus sentimentos pela outra pessoa, é importante que você tenha certeza das suas convicções também.

Pense nisso:
Romper com um namoro pode ser difícil… Mas romper com um noivado, tenha certeza, é ainda mais difícil.
Terminar um noivado é bem complicado, mas creia em mim, terminar um casamento é ainda muito mais complicado.

Pense bem antes que entrar nesta aventura chamada casamento. Se, por acaso, você está vendo que as coisas não são boas hoje, a melhor saída é mesmo romper, mesmo que haja dor, que estender um relação que trará ainda mais sofrimento para todos os envolvidos.

Lembre-se, não há casamento feliz sem força de vontade, resignação e muito altruísmo, ou seja, amor. Casar-se é abrir mão de parte de suas vontades e tomar para si parte das vontades do outro.

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Chegar à velhice juntos é um desafio maior a cada geração.
Este comercial mostra bem o desejo de se permanecer com vitalidade mesmo depois de anos juntos.
Feliz casamento pra sempre e, como diz a frase final do comercial a seguir: “Feel young again” (sinta-se jovem novamente).

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