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AFASTA DE MIM ESTA CRISE

Eu estou feliz porque estou em crise.

Estar em crise é um bom sinal. Primeiro me mostra que eu estou vivo. Crise é para os vivos e não para os mortos. Mais que estar respirando, estar em crise é estar vivendo.

Em segundo lugar, estar em crise é bom porque mostra que eu não estou estagnado, zumbizeando pela vida, mas sim insatisfeito, buscando, desejando, querendo… Me mostra que eu não estou acomodado. Me mostra que quero aprender, quero viver, quero saber.

Plantas não tem crises.

Jesus foi um homem de dores. Um homem de crises. Nunca deixo de lembrar Jesus em sua agonia final, quando ele pede ao Pai que o livre da cruz. Quando ele entrega os pontos e percebe que aquela estória toda estava indo longe demais: Ele pede arrêgo. Inacreditavelmente ele desiste e diz: “Pai, afasta de mim este cálice!”

Mas, em meio à sua crise, Jesus volta atrás e diz ao seu pai: “…mas que seja feita a sua e não a minha vontade.”

Noutras palavras, “eu mesmo não quero mais brincar de cruz, afasta de mim esta crise, mas, se não tiver outro jeito, que seja feito o que eu não quero, que é a sua vontade”. Forte lermos e deixarmo-nos enxergar que Jesus não queria a vontade que o Pai dele queria: Cruz! Crise!

As crises existenciais não pouparam Jesus do seu nascimento à morte. Porque irão poupar você?

Não é nada fácil entrar nas crises, mas como é gostoso atravessá-las. Elas sempre nos deixam maiores. Mais livres. Melhores. Crises são de Deus!

Podemos comparar as crises com as tempestades. Elas sempre deixam algum estrago. Dão medo e deixam marcas. Normalmente são fenômenos naturais, promovidos pelas leis da “mãe natureza”, que é funcionária de Deus. Mas a pior das tempestades não foi natural, foi de Deus, o dilúvio, que arrasou com absolutamente tudo… Enviado por Deus.

As crises são assim. Existem muitas que são naturais. Simplesmente fazem parte do cotidiano. Mas existem crises que são grandes, até devastadoras… Como é difícil imaginar que elas são enviadas por Deus… Não vamos nos esquecer que para o diabo mandar uma grande e devastadora desgraça para a vida de Jó, que o deixou em profunda crise, o diabo teve de obter autorização de Deus primeiro. Se Deus não permitir, o nosso inimigo não toca em nada.

Mas porque das crises?

O mesmo Jó nos dá uma dica. Após todo o seu sofrimento Jó disse a Deus: “Antes eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora eu te vejo…”. O sofrimento nos torna sensíveis para a presença de Deus.

Algumas crises são apenas capítulos da existência. Já outras são livros inteiros…

A dor amolece o coração, o que nos permite ver Deus. Ver Deus nas pessoas. Ver Deus na vida. Nossa dor nos torna sensíveis à dor alheia. Nos permite sermos mais misericordiosos, olhando mais para fora do que para dentro. Minimizando o egoísmo e ampliando o autruísmo.

Pior que passar pela crise é sair dela sem mudanças. Como burros empacados, alguns recusam-se a crescer com as experiências alheias e em seguida recusam-se aprender com as próprias experiências e assim não saem daquela crise, vivenciando o mesmo drama por anos. Sem crescer, sem mudar. Aprender nos tira da crise e nos deixa melhorados para a próxima… E assim vai.

Sempre que eu entro em crise oro assim: “Deus, que eu aprenda rápido”. Uma vez aprendida a lição, aquela crise vai-se.

Nós amamos a Deus não porque Ele nos livra das crises, ao contrário, nós amamos o Senhor porque Ele nos ensina por meio delas.

Podemos passar por crises e ainda assim estarmos felizes, posto que felicidade é outra coisa que não a ausência de crise. Entenda mais sobre FELICIDADE clicando aqui.

Então? Vai uma crisezinha aí?!

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Alguém que leu esta reflexão me enviou a música “Stay” – do U2 – dizendo que a letra tem muito à ver com o que eu disse acima, ou seja, que as dores nos mostram que estamos vivos.
A música está aqui para quem quiser curtir uma bela canção. Achei no YouTube esta versão com a letra traduzida (só que para o espanhol…) para facilitar.

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