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Promessas dos homens.

Por: Geziel Madeira

Antes eu fazia promessas. Hoje, mais maduro, aprendi comigo mesmo, e da forma mais dura, que promessas são difíceis de fazer, e cumpri-las exige esforço que muitas vezes não somos capazes de despender; às vezes, não queremos cumprir por causa do nosso egoísmo; outras vezes simplesmente não somos capazes de cumprir. Mas eu não quero falar das minhas promessas. Quero falar de uma que li. Diz assim:

“Quem há entre vós que tema a Deus, e ouça a voz do seu servo? Quando andar em trevas, e não houver luz nenhuma, confie no nome do Senhor, e firme-se sobre o seu Deus.” Isaías 50:10

Ora, qual é a promessa? Não preciso explicar, apenas saber. Fico terrivelmente triste com as promessas que hoje são vendidas em muitos púlpitos. Sinto-me como que “rachado” quando vejo o leilão que fazem da palavra de Deus, e das Suas promessas. Sinto-me traído quando percebo que muitas vezes eu fui ludibriado por mirabolantes promessas vindas “do alto”. Promessas que não foram Deus que prometeu, que muitas vezes vi por aí, como: “você nunca passará por isso”, “você será isso ou aquilo”, “você será graaaande”… Ora, qual é o problema da igreja??? Será que não posso chorar com os que choram e me alegrar com os que se alegram? Será que não posso viver os dias de tristeza assim como os de alegria? Será que não posso SIMPLESMENTE SER POBRE? Por que tenho que ser rico? Por que tenho que alcançar um grande cargo, ter um carrão e ter perfeita saúde??? Por que tenho que ser “grande”? Não posso ser apenas o cara que limpa o banheiro, ou a rua, ou alguém que ninguém jamais reconhecerá? Será que no meio desta terra de aflições tenho que viver como rei? Olhem para o espinho de Paulo, olhem para as lamentações de Jeremias, olhem para a tragédia vivida por Jó!!! Será que eu não posso ser simplesmente pó?

Promessas de riqueza, de grandeza, de prosperidade, promessas de saúde e paz. Tudo isso já foi dito. Tudo isso já foi pregado. Não quero falar disso. Quero falar de trevas. Trevas que parece que ninguém quer falar! Você já se sentiu no meio da estrada, e de repente os faróis se apagam? Você via, e de repente é tudo escuridão. Jesus é a minha Luz, mas de repente eu não vejo nada.

“Quando andar em trevas…” A vida cristã não vive só de vôos mais altos do que possamos imaginar. Existem os momentos que você se sente só, e não entende onde Deus está. Mas quem quer pregar que você vai se sentir só no meio da escuridão?

“E não tiver nenhuma luz…” Você foi ensinado a caminhar na Luz. Mas de repente não há mais luz, por mais que você não entenda isso. A luz se apagou, e não conseguimos ver o caminho, até a pouco eu tudo via, sabia o caminho, sabia onde estava indo, mas já não consigo ver onde estou, e nem qual o próximo passo. Tudo ficou confuso. Parece que Deus me levou até o Mar Vermelho, e os carros egípcios estão vindo também.

“Confie no nome do Senhor, e firme-se sobre o seu Deus.” Enfim, para mim, a promessa é essa. Posso não ver nada, posso me sentir a mais perdida das criaturas, caminhei até aqui mas agora nada vejo. Não encontro o meu Deus. Não entendo o que está acontecendo, onde Ele está e, nesta altura do caminho (até onde Ele me trouxe), também nem entendo por quê nada faz sentido. Mas, por mais confuso que pareça, lá no fundo, Ele diz: “Confie em mim, firme-se em mim.” Talvez este seja um lugar de esperar; talvez seja a vez de dar um passo sem ver nada, sem ver onde estou pisando. A resposta, para as perguntas, é confiar. Mais do que tudo, confiar. No invisível, no silêncio, no intocável. Quando as perguntas se tornam profundas, quando os questionamentos se tornam turbulentos, quando não entendo e não vejo nada, a luz se apagou e a voz silenciou. Os sonhos não fazem sentido, a palavra não explica e o coração se inquieta. Nada de promessas mirabolantes. Nada que faça de mim um “herói”. Não tenho promessa nenhuma, mas entendi a promessa de Deus.

Chega das promessas dos homens, basta a promessa de Deus.

“Confie no nome do Senhor, e firme-se sobre o seu Deus.”

Não preciso de um “final feliz”, apenas preciso de Deus.

 

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Criolo foi o grande nome do VMB 2011. O músico, que mistura “soul” com “rap”,  levou para casa os prêmios de Melhor Disco, Melhor Música e o de Revelação.

Neste clipe da música “Subirusdoitiuzin” (tradução: “Subriram os dois tiozinhos”) ele mostra onde nos levam as promessas fáceis dos homens e o caminho mais curto.

Um clipe que, em minha opinião, merece também um prêmio de “melhor curta-metragem”.

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