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O DIA EM QUE DEUS ME FEZ DE MARIONETE.

 

Eu era muito jovem e gerenciava uma pequena empresa de telefonia. Uns 25 funcionários. Já se passaram duas décadas ou mais. Numa daquelas tardes atarefadas nas quais o que menos queríamos era atender qualquer vendedor de qualquer coisa, pois as rotinas gritavam nas caixas de entrada, eis que um deles aparece, fala do seu produto e me encanta pelo baixo custo aliado ao grande valor agregado.

Tratava-se de um seguro de vida em grupo para os funcionários. Um seguro bem barato numa época em que seguro era coisa para ricos. Benefícios simples, mas um gordo montante para o caso de morte de algum segurado. Comprei a ideia, a vendi para a diretoria, implantei o benefício em trinta dias e todos ficaram felizes. No mês seguinte um dos melhores e mais jovem funcionário  – algo em torno de 23 anos –  veio a óbito como consequência de um câncer fulminante. Foi um choque. Inacreditável que aquilo tivesse acontecido. Até mesmo a seguradora suspeitou e chegou a enviar um emissário, de outra cidade, para averiguar a veracidade do fato e entregar o prêmio pessoalmente.

Desta forma, tive a oportunidade de conhecer a família do finado funcionário e arrepiei. Sua família resumia-se em sua mãe, a beneficiária do seguro. Uma senhorinha (bem senhorinha mesmo), com cara de judiada pela vida, tal que, pela profundidade das fendas faciais, deve ter tido aquele filho já em idade avançada. Não tinha marido. Não tinha mais ninguém. Tinha ela nada mais que aquele que se foi. Aquele que era seu arrimo e pagava as contas da casa da mãe velha.

O dinheiro que ela recebeu das mãos do emissário – não me lembro quanto – era uma bolada suficiente para sustentá-la por um tempo o qual, suspeito, fosse necessário até que ela eternamente visitasse o filho no mundo que não conhecemos.

Na sede da nossa empresa, numa pequena saleta de reuniões, ela assinava alguns papéis, chorava a morte do filho ao mesmo tempo que louvava ao Deus que não a deixou sem sustento financeiro. Aquilo me arrepiava. Eu percebi que eu era apenas uma marionete em toda aquela estória. Percebi que a decisão de contratar o seguro não foi minha. Percebi que o corretor de seguros havia feito o papel de um anjo ao entrar naquela empresa um mês antes. Percebi que aquela senhorinha crente, com um coque mal arranjado, tinha um Pai Celestial que cuidava dela. Percebi o sentido da palavra SOBERANIA. Sim, fui uma “marionete do bem”.

Naquele dia comecei a entender melhor as palavras de Jesus quando ele diz: “Não andeis ansiosos por coisa alguma. Nem pelo que havereis de vestir, nem pelo que havereis de comer, pois Deus tem cuidado de nós…”

Uma das frases mais repetidas na Bíblia é: “Não temas…”

Não venham me questionar porque Deus permitiu a precoce partida daquele moço. Não tenho esta resposta. Talvez jamais tenha. Contudo, uma coisa sei, Deus não permitiu  que aquela senhorinha, indefesa e só, passasse por dificuldade material maior.

(Não posso deixar de registrar que, pouquíssimo tempo depois, por razões que também não mais me lembro, a diretoria decidiu suspender este benefício…)

Vai entender o amor de Deus…

Luciano Maia

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E por falar em velhice… Um delicioso filme que nos faz pensar na vida.

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