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O MANJERICÃO E A ABUNDÂNCIA

“O paradigma da escassez afirma que não existe o suficiente pra todo mundo. Esse pensamento dá origem ao medo e a disputa por dinheiro e bens materiais. Uma mentalidade de abundância, por outro lado, diz que sempre existem novas chances e oportunidades e que há mais do que o suficiente para que todos possam ter uma vida plena e próspera”.

 

Por Simone Maia

 

O manjericão é uma das minhas ervas de tempero prediletas. A começar pelo molho pesto, passando pela salada até chegar ao molho de tomate, muitas coisas que faço levam manjericão. Quando comecei a gostar de usar, não achava facilmente para comprar, mas minha amiga Anna Maistri, então minha vizinha e dona da melhor receita de pesto que eu conheço, sempre tinha manjericão da horta dela para dividir comigo.

 

A vida me levou para São Paulo e quando me trouxe de volta para Brasília, recebi visita da minha amiga Anna na casa para onde nos mudamos – a casa nova era longe da casa da Anna. Então, eis que ela chega com um vasinho plantado com uma bela muda de manjericão diretamente da horta dela para o meu novo jardim! Uma muda linda e preciosa daquele manjericão grandão, cheiroso, delicioso e especial que faz um montão de pesto!

 

Sempre cuidei com carinho do meu pé de manjericão, mas ele nunca prosperou tanto quanto o manjericão da Anna. Anna sempre tinha manjericão e eu não! Seis anos se passaram entre ter manjericão na horta para usar a hora que quisesse e não tê-lo. Até o dia em que os pés de manjericão acabaram completamente e eu pedi à Anna uma nova muda. E eis que ela respondeu: “Também estou sem. Aconteceu alguma coisa na horta e acabou todo o manjericão”.

 

Dois anos se passaram e eu me mudei de casa mais uma vez! Preparando para mudar, me dei conta que certa vez eu havia feito um arranjo com alguns galhos secos cheios de sementes do manjericão da Anna. Eu havia esquecido. Que alegria! E parti para uma nova empreitada de plantio de manjericão. Eu e Luciano semeamos em um “berçário” e logo logo as mudinhas  verdinhas começaram a surgir. Mas…. a alegria durou poucos dias, pois as mudinhas estavam enfraquecidas e não tinham forças para continuar crescendo.

 

Em uma tentativa desesperada de salvar minhas últimas mudas, transplantei todas elas meio que de qualquer jeito para uma pequena horta que meu pai e minha netinha haviam feito no novo jardim. E torci!

 

Em meio a tudo isso, ganhei de presente do meu novo vizinho um pezinho de manjericão. Ao me entregar o vaso, o Sr. Antônio recomendou: “sempre corte as flores para ele crescer”! Com todo carinho, plantamos o novo pezinho de manjericão ao lado da horta, que já estava cheia de orégano, alecrim, hortelã e as mudinhas do manjericão da Anna que lutavam para prosperar. E qual não foi minha surpresa quando percebi que tudo estava crescendo e ficando lindo! Todos os temperos, inclusive os dois tipos de manjericão – o da Anna e o do Sr. Antônio!

 

Um belo dia, festejei: “Eba! Já dá para usar o manjericão”!

 

Contudo, antes de começar a tirar as folhas tive o cuidado de assistir a um pequeno vídeo na internet sobre como tirar as folhas do manjericão para não estragar o pé. Peguei uma tesoura e parti para a horta para ser feliz! Associei a técnica da extração recém aprendida à poda regular das flores e assisti aos meus pés de manjericão crescendo e crescendo e crescendo  até o ponto de ter para mim e para dividir.

 

E um belo dia, enquanto voltava da horta com as mãos cheias de manjericão exalando o mais delicioso dos perfumes, me peguei refletindo sobre a lógica absolutamente maluca dos novos pés de manjericão: quanto mais eu corto, quanto mais eu podo, quanto mais eu uso, quanto mais eu divido, mais manjericão eu tenho! Para quem é agricultor, minha descoberta não traz novidade alguma. Mas para a pessoa urbana que sou, a lógica do crescimento do meu manjericão me remete a algo muito legal: o manjericão segue a lei da abundância. Se eu achar que o manjericão vai acabar e por isso eu ficar economizando e tirando poucas folhinhas de cada vez (lógica da escassez), o pé vai enfraquecer e minguar até acabar. Mas, se eu cortar as pontas e tirar bastante para usar, terei muitas flores, novas sementes, e o pé cresce a ponto de tombar de tão grande e pesado! Foi o que aconteceu aqui na minha horta.

 

Que milagre maluco! Que lógica linda para se aplicada a tudo na vida: a certeza de que algo não vai acabar gera um ciclo lindo de abundância – quanto mais eu compartilho, quanto mais eu distribuo com as pessoas, quanto mais eu uso os recursos que tenho, mais me fortaleço e para ser canal de bênção na vida das pessoas – canal de carinho, de amor, de cuidado e até de grana, quando necessário.

 

Enquanto eu “economizei” meu manjericão para que nunca me faltasse, tive pezinhos fracos que minguavam até a morte. E agora que aprendi a podar e a usar “em abundância” e sem medo de que ele acabe, ele cresce lindo, viçoso e exuberante.

 

Vou me lembrar sempre dos meus pés de manjericão quando um pensamento de escassez qualquer cruzar minha mente e, inadvertidamente, eu pensar que algo vai me faltar. Vou me lembrar que meu Pai do Céu é um Deus de abundância e de provisão material, espiritual e emocional.  E que você possa lembrar disso também! Que a nossa matemática seja tão inversa quanto a matemática celestial!

 

Simone Maia

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