Sem categoria,

Procura-se um amigo para o fim do mundo

CENA 1:
Era dia dos pais e a típica homenagem estava sendo realizada. Cada filho dando de presente para seu pai uma almofada estampada ou com as marcas das mãozinhas, se não-alfabetizado, ou com uma frase de carinho, se já alfabetizado. Apesar de aquele ser um garoto muito dócil e educado, era visível a inquietação daquele menino sem pai. Ao contrário dos demais, ele não tinha a quem presentear sua almofada. Ficou exitoso entre entregar para a mãe ou a avó… Sob o pretexto da dúvida, num processo de catarse emocional, atirou-a vigorosamente, como um projétil, em direção a elas. Qualquer pessoa menos atenta podia perceber a raiva que invadia seu coração… Ele não podia entregar seu presente para seu pai, um amigo para o fim do mundo.

CENA 2:
Dentro da discoteca de CDs importados e raridades a conversa despretensiosa com a atendente deságua, sem qualquer razão aparente, no tema: perdas nos relacionamentos familiares. A moça abre o coração ao cliente novato e confessa, em dez minutos, que a ausência da figura paterna em sua formação significou uma marca emocional que dificulta seu relacionamento com a vida e consigo mesma. Diz crer que as mulheres que tiveram uma presença masculina no transcorrer da vida, são mais seguras.

CENA 3:
As estórias dos protagonistas, interpretados por Steve Carell e Keira Knightley se cruzam quando faltam poucos dias para um meteoro chocar-se com a terra e o mundo acabar. Várias pessoas aproveitam seus últimos dias de vida para fazerem todos os tipos de transgressões que jamais fizeram. Contudo, estes dois personagens buscam o sentido final de suas vidas tentando resgatar seus relacionamentos familiares deixados para trás. A vida passa a fazer sentido se os desencontros converterem-se em rendição afetiva. Steve Carell perdoa seu pai, recuperando seu sorriso e, já com o coração limpo da mágoa, encontra um novo amor para passar o fim do mundo em paz.

CENA 4:
Para fugir dos traumas do passado, o caminhoneiro João resolve deixar sua cidade natal para trás e cruzar o país. Ele dirige Brasil afora, sempre solitário, até que numa de suas viagens descobre que o menino Duda se escondeu em seu caminhão. Duda é órfão de mãe e está à procura do pai, que fugiu para São Paulo antes mesmo dele nascer. A contragosto, João aceita levá-lo até a cidade mais próxima. Entretanto, durante a viagem nascem elos entre os dois, que faz com que João tenha coragem para enfrentar seu passado. A paternidade perdida e a resgatada e suas duras conseqüências são o foco do filme “À Beira do Caminho”, de Breno Silveira. Trilha sonora toda de Roberto Carlos.

——————————————————

Além destas quatro cenas, uma quinta, que não será relatada, povoaram meus últimos sete dias.

Uma série de doenças de alma, traumas, angústias, inseguranças, raivas e relacionamentos mal resolvidos com Deus são conseqüências de ausências ou relações mal resolvidas com progenitores, especialmente com a figura paterna. Quanto lixo emocional é depositado na alma da pessoa que experimentou a ausência paterna. Por vezes o mal cheiro desta latrina passional contamina os relacionamentos futuros, impedindo que a vida da pessoa exale o cheiro das flores.

Traumas advindos de separações mal feitas ou matrimônios preservados à base de formol (com aparência externa, mas sem vida interna, expostos em prateleiras sociais dentro de vidros estéreis).

Nosso desafio, como indivíduos, é não repetir a estória de terror em nossa família. Não reviver na vida dos nossos filhos o enredo da desgraça emocional fruto de nossos relacionamentos conjugais conturbados ou inexistentes.

Vidas saudáveis são construídas com relacionamentos e famílias saudáveis. Nossa escolha tem de ser pelo amor à próxima geração, nossos filhos, não entregando ao mundo novos órfãos emocionais, que, doentes da alma, serão infelizes, cheios de culpa e julgadores da sociedade e de Deus pela equivocada escolha de seu pai ou mãe.

O maior legado que alguém pode deixar para a sociedade ou para seus filhos é esforçar-se ardentemente por preservar um relacionamento conjugal equilibrado, que refletirá diretamente na saúde psicoemocional da prole.

O melhor amigo para o fim do mundo é o pai.

——————————————————

Da trilha sonora do filme “Procura-se um amigo para o fim do mundo”

03 comments
Sem categoria,

MEDO DE SENTIR MEDO

POR JOBERSON LOPES

O medo é algo que muitos têm, mas poucos admitem que o tenha, pois é sinônimo de fraqueza e numa sociedade dos “fortões, sarados, malhados”, muitos acham melhor enfrentar o que lhe causa medo, mesmo que não seja esse objetivo, ao ter que admitir que têm medo disso ou daquilo.
    Eu tenho medo de voar de avião!  Eu disse essa frase em sala de aula e uns amigos de classe ficaram espantados; eu acredito que a causa do espanto não foi por eu ter medo, mas pelo que eles pensam que eu sou, através da minha forma de ser, os levaram a pensar que eu não teria medo de algo que para muitos deles é banal.
    Eu falo firme, tenho um perfil mais braçal e menos intelectual, tenho uma personalidade forte, mas tudo isso não significa que não tenha medo e que não tenha medo de coisas que para muitas pessoas e crianças não seja nada, como viajar de avião.
    O medo não me paralisa, mas me desequilibra, pois eu enfrento o que me causa medo, portanto não me paralisou, mas me deixa sem confiança, fico como que sem base para andar, me faz sentir acuado e sem esperança.
    Muitas pessoas tem medo de coisas que para mim, parece mais infantilidade da pessoa do que medo, outros têm trauma de algo e isso o leva a ter medo, mas eu não me lembro de nenhum trauma sobre viagens de avião, ate porque a primeira vez que viajei de avião eu já era adulto.
    Ter medo para mim não significa fraqueza, mas sim me mostra a minha humanidade mais latente, me faz relembrar o quanto homem eu sou, o quando nada eu sou, pois algo que parece relativamente simples para uma criança, para mim parece ser o impossível.
    Ter medo faz parte da nossa existência e descobrir o que nós faz medo é parte desse processo de existir e acredito que enfrenta-lo ou administrar o medo é algo que vem com a confiança que adquirimos em Deus, pois é quem eu mais penso quando estou viajando de avião (rsrs).
     Eu não deixo de viajar por que tenho medo de avião e nem coloco como preferencia viajar de carro quando possível devido ao medo, mas se você me perguntar se eu gosto de viajar de avião, a resposta é rápida e clara: Não!
    Eu não tenho vergonha de admitir isso, pois é parte da vida de todos os seres humanos e acredito que todas as pessoas tenham algum medo que o ronda às vezes; podemos ate não lembrar ou não termos enfrentando-os ainda, mas que acredito que existam com certeza.
    O medo hoje me fazer repensar naquilo que eu estou fazendo e automaticamente me gera cautela e prudência em coisas que parecem obvias e acredito que isso é uma coisa positiva em sentir medo, pois a maioria dos que morrem afogados são os que sabiam nadar, pois não tinham medo de água funda.
    Ter esse entendimento hoje para mim está me ajudando a diminuir meus erros quando estou consertando carros, pois eu passo a fazer mais cautelosamente, ate mesmo aquilo que para mim pode ser o mais obvio possível, como trocar o óleo de um veiculo. Eu já tive más experiências fazendo o fácil e obvio e dando errado e ficando difícil, simplesmente porque eu já sabia fazer aquilo de traz pra frente e de frente pra traz, mas a falta do medo, o excesso da confiança, a falta de cautela, me fez errar no obvio.
     Sentir medo também foi uma experiência de Jesus na cruz e ate em outras oportunidades eu creio, quando os guardas o procuravam para prender; Jesus pediu a Deus para que não passasse por aquela situação de medo, de angustia, porque não é um bom lugar para se ficar.
    Se mesmo Jesus em toda a sua autoconfiança em Deus e em si próprio teve medo e admitiu isso, porque eu um simples “joão-ninguém” não posso ou não quero dizer que tenho medo?
      Mas vamos prosseguindo eu e Belchior com nosso medo de avião.

 

Joberson Lopes,  Lindale Texas, 06 de junho de 2013.

 

01 comment
Sem categoria,

DEUS É DOIDO?

A Bíblia é maravilhosa porque é atemporal, ela ensinou, ensina e vai continuar ensinando. Cada dia mais atual! Deus fala com cada povo de acordo com a sua capacidade de entendimento.

 

A ciência não muda toda hora por ser é algo ruim ou errado. Ciência e fé não são coisas antagônicas. A ciência é a medida do quanto a humanidade consegue entender o universo, a existência, a palavra de Deus. Dez Mandamentos é coisa criança! (Êxodo 20:1-17 e Deuteronômio 5:6-21), pois foi a maneira simples com que Deus falou àquele povo, entre o sec. XVI e XIII antes de Cristo. Na Bíblia, a partir de Jesus, no séc. I, Deus já nos falou algo mais complexo, mais filosófico (Mateus 22:34-40): Se você amar a Deus sobre todas as coisas (o mesmo dos dez mandamentos) e o seu próximo como a você mesmo, você não vai roubar, matar, adulterar, nem mentir… porque você não quer que ninguém faça isso para você. É muito óbvio e ainda assim, amar o outro é a coisa mais difícil que existe. Se você diz que ama a Deus, você naturalmente ama seu semelhante. Se você diz que ama a Deus, você não pode não amar o seu semelhante. E você não ama! Porque você é mau! Porque amor é escolha, não é sentimento. E você escolhe não amar seu inimigo. Porque você quer que ele se dê mal. E você trama e você fantasia com ele se dando mal. E você diz: “a ira do Senhor vai recair sobre você, porque você me cortou no trânsito… ou a mão de Deus vai te julgar porque falou algo ignorante na internet”.

 

Nós já avançamos muito desde a antiguidade, mas o ser humano ainda é muito ignorante. Não cancele as pessoas, eduque! A questão é que educar é muito mais difícil do que cancelar, porque pra educar, você tem que amar. Você tem que escolher amar pra educar alguém. Punir é fácil. Excluir, deletar, matar a tudo o que te incomoda, é algo maligno e portanto, perigoso!

 

Eu estou passando pelo que me parece ser o clímax do meu processo de conversão. Eu venho me convertendo há muitos anos, sob a oração de um monte de gente, sob o exemplo de algumas pessoas, e esse clímax da minha conversão tá acontecendo sob a palavra de um pregador que nem sabe quem eu sou. Eu tenho escutado os testemunhos e pregações do Rodolfo Abrantes e têm me tocado muito. Eu fui dos que achei que ele tava ‘viajando’ quando ele largou o Raimundos pra “virar crente”. Pra mim foi pior do que quando eles se venderam musicalmente por conta de grana, mas olha aí eu pecando e julgando meu irmão novamente. Apesar de que agora eu tô começando a entender qual é a dele.

 

Deus é tão doido que eu sou genro do pastor, e é verdade que, usando meu sogro, Deus já operou muitos milagres na minha vida, mas depois de ser criado na igreja católica e frequentado até por volta dos 12 anos, ter ido pro mundo e vivido tudo o que, com meu pouco juízo, eu achasse que me convinha. Voltado pra igreja muitos anos depois e conviver já há dez anos com Pr. Luciano como meu pai, mais do que apenas como conselheiro espiritual… e ainda assim, eu não conhecia Deus até alguns dias atrás. E eu tava há muito tempo tentando conhecer – ou talvez eu não estivesse tentando tanto assim… Mas a verdade é que como ele fala pra cada povo no seu tempo, ele também fala para cada pessoa em seu tempo e na sua capacidade de entendimento.

 

Cada conversão é diferente. Eu vejo muita gente que tem uma experiência com Deus e aí se torna crente. Eu me tornei crente e dez anos depois, só agora, eu tô começando a ter uma experiência com Deus. Eu achava que quando eu fosse batizado novamente (porque eu já havia sido batizado católico antes de resolver “virar crente”) algo mágico aconteceria e eu ia começar a falar em línguas, e curar, e profetizar. Mas com Cristo não há mágica… o que há é milagre. E o tempo de Deus é misterioso. Ele tá trabalhando na minha conversão já tem uma década… e dói, viu?! Não é fácil não. Eu que sempre fui muito cético e me perguntava por que não há mais aqueles milagres grandiosos do antigo testamento, hoje entendo que abrir o mar parece grandioso, mas é coisa de criança. Quem precisava daquele milagre era um povo antigo, ignorante, que tava lutando pela sobrevivência da sua etnia. Hoje, nós precisamos de outros milagres. Hoje a gente tem tecnologia pra abrir o mar. E tem também tecnologia pra criar mar onde não existe. O que a nossa geração precisa aprender é a amar! Essa é a missão dessa geração e pra isso, Deus tem levantado pessoas em todos os lugares e em todos as tribos! Amar é a lição mais difícil de todas! E o milagre que Deus quer operar na vida de todos nós hoje não é riqueza, é um tesouro; não é sucesso profissional, é sucesso espiritual; não é nem saúde, é vida. Hoje o Senhor quer que aprendamos a amar! Amém?

 

Stevan Maia de Camargo Corrêa

Inverno/ 2021.

0
Sem categoria,

EU SÓ ANDO COM “VENCEDORES”!

A nossa sociedade tem uma tendência de rotular algumas pessoas como “vencedoras” e outras como “perdedoras”. Além da evidente pequenez desta categorização, o problema fundamental disso é a sugestão de que a vida pode ser uma corrida individual e que, no final dela, é possível classificar todos os competidores do melhor ao pior.

 

A verdade mais confusa e complexa é a de que a vida realmente é composta por diversas corridas que se desdobram ao mesmo tempo em áreas diferentes e com diversos tipos de troféus e medalhas à vista. Há corridas por dinheiro, fama e prestígio. Mas também há outras corridas. Há aquela que revela quem consegue ficar mais calmo diante da frustração, uma para identificar quem pode ser mais gentil com crianças, outra que mede o quanto alguém é um  amigo verdadeiramente leal. Também há corridas focadas no quanto uma pessoa presta atenção no céu estrelado ou o quanto consegue se deliciar com as frutas do outono.

 

Ninguém vence ou perde o tempo todo. Entendemos que não podemos ganhar sempre. Ao examinarmos as pessoas mais de perto, é possível ver que aqueles que aparentam levar todos os prêmios e são saudados em alguns lugares como atletas super-humanos da vida não podem realmente triunfar em tudo. Eles, provavelmente, farão uma bagunça tremenda em outras corridas das quais participam.

 

Se não dá para ser um vencedor em tudo, o lógico é que também não seja possível ser um perdedor em tudo. Nunca fracassamos estrondosamente na vida em si. Quando erramos em áreas comuns e nos sentimos rejeitados e isolados, o universo só está nos dando uma chance excepcional de começar a treinar, o que significa que um dia nos tornaremos atletas de sucesso em outras corridas. Por isso é útil é útil nos dedicarmos a ressignificar os termos sucesso e fracasso. Fracassar bem é uma das artes mais necessárias que precisamos aprender. Tão necessário quanto “vencer bem”.

 

E se olharmos os grandes heróis da fé narrados no Novo Testamento, veremos grandes protagonistas, abençoados por Deus, os quais, por fidelidade aos seus valores tornaram-se “perdedores” conforme o valores da sociedade. Assim foi com João, o Batista, que teve a cabeça servida numa bandeja por denunciar uma relação amorosa inadequada. O que dizer de Estevão, que por realizar milagres acabou provocando inveja e fofoca dentre os religiosos, e por ser alvo de difamação, acabou sendo apedrejado. E aqueles que perderam seus empregos para seguirem um andarilho curandeiro chamado Jesus? Não é aquilo que chamaríamos de Sucesso. Como é difícil contextualizar isto. Paulo de Tarso disse o seguinte aos cristões da cidade grega de Filipos: “Mas o que para mim era lucro, passei a considerar perda, por causa de Cristo. Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, por cuja causa perdi todas as coisas.”

 

0
Sem categoria,

O sofrimento pertence a Deus?

Os séculos XX e XXI foram marcados por consequentes mudanças no campo cívico, oriundas de um uma filosofia hedonista contemporânea, onde somente as coisas capazes de gerar um certo nível de prazer pertencem ao divino, enquanto qualquer manifestação de sofrimento é vista como maligna. É notável e até compreensível, tendo em vista as concepções modernas relativas a Deus, a crescente frustração e o afastamento entre o mundo e Deus.

 

O sofrimento pertence a Deus, o mundo agonizou até a morte por 40 dias e 40 noites durante o dilúvio (Gênesis 8:12), Moisés demorou 40 anos para atravessar o deserto do Sinai com os israelitas, povo escravizado durante anos no Egito (Deuteronômio 8:2). E Jesus foi açoitado, carregou sua cruz sob um sol ardente, foi crucificado ao lado de criminosos, e ainda bradou em sofrimento clamando por um pouco de água: “Estou com sede!” (João 19:28)

 

A pandemia de Covid-19 se mostra como um período desafiador no que concerne ao tema sofrimento, muitos vieram a falecer em decorrência dela, e a quarentena parece nunca ter fim. Porém, o número 40 para os antigos, e consequentemente na bíblia, está ligado com a purificação, não por acaso o dilúvio durou por 40 dias e 40 noites, Moisés passou 40 anos no deserto, Jesus foi tentado por 40 dias e 40 noites após seu batismo, e os leprosos e enfermos deveriam passar 40 dias em casa para um processo então denominado “quarentena”, processo esse tão atual.

 

Todavia, após a purificação há de ocorrer a vitória, como para Noé foi a pomba com uma folha de oliveira pendurado pela boca; para Moisés a vista da terra prometida, e para Jesus, após sua crucificação, sua vitória foi marcada por seu brado, momentos antes de sua morte, como dito em João:

  “(…) Jesus disse ‘Está consumado’, com isso, curvou a cabeça e entregou o espírito” (João 19:30).

 

Durante os dias de nossa vida, até podemos nos distanciar de Deus, mas Deus se revela a nós, e nós inevitavelmente, retornamos a Deus, como Jesus também retornou, (Lucas 23:46). Portanto, é equivocado pensar que diante das adversidades, das enfermidades, diante do vale dos ossos secos, Deus se ausenta. Pois, na realidade, o Senhor está conosco em todas as situações, até mesmo nos momentos de maior aflição, como está escrito:

“Ele os deixou passar fome e depois lhes deu para comer o maná, uma comida que nem vocês nem os seus antepassados conheciam. Deus fez isso para que soubessem que o ser humano não vive só de pão, mas vive de tudo o que o SENHOR Deus diz” (Deuteronômio 8:3-6).

 

Deus não está oculto, mas se revela a nós através de sua criação, e todas estas coisas, tangíveis e intangíveis, provém dele. Todas as coisas estão em Deus, seja o gozo de felicidade ou as lágrimas de luto, todas as coisas fazem parte do plano de Deus, e toda a criação se nutre de Deus, como uma folha mantém sua seiva em seu interior, seiva que nutre e a mantém viva, pois, a árvore da vida fixa suas raízes no céu. Tudo exsuda Deus.

 

Iago Birnbaum

julho de 2021.

0
Sem categoria,

DEUS É BOM… ELE É MUITO, MUITO BOM…

 

 

Se existe gente que se zanga porque Deus é bom, então, existe gente para reclamar de tudo o mais.

Jesus contou a seguinte parábola:

Numa cidade havia muitos desempregados. Porém, certo empresário contratou um grupo e combinou uma diária começando às 6 da manhã. ÀS 9 horas ele saiu e contratou outros. Fez o mesmo às 13, às 15 e às 17 horas. Porém, o que ele dizia agora era: “Vão trabalhar, e darei o que for justo!” Às 18 horas o empresário mandou que seu gerente pagasse os diaristas, começando dos últimos até aos primeiros. Vieram os das 18 horas e receberam uma diária cheia. E, assim, até aos que haviam chegado às seis da manha, todos receberam a mesma coisa. Então, os que haviam chegado antes de todos, e feito muito esforço, zangaram-se contra o empresário, e disseram: “Você está sendo injusto. Está dando a quem trabalhou apenas 1 hora o mesmo que você dá a nós, que sofremos o dia todo.” Assim, respondeu-lhes o empresário: “Amigo, não cometi injustiça contra você. Mas por que os olhos de vocês são maus por que eu sou bom? Acaso não posso fazer o que quero do que é meu? Toma o que dei a você e vai, pois, farei com o que é meu o que eu quiser!”

Jesus contou esta história porque tinha gente zangada em razão da bondade de Deus!

Quase sempre a Graça faz mal a quem é invejoso!

Sim! Porque a pessoa pensa:

“Por que no meu tempo eu ralei tanto e esta nova geração tem tudo tão fácil?”
”Tenho orado tanto e a tantos anos a Deus e Ele acabou por atender ao pedido deste aqui, que nem ora direito e nem é tão bom quanto eu…”
”Poxa, esta pessoa tem a vida tão tranquila. Mas eu… Deus nem olha para meu sofrimento.”

”Já sofri tanto na vida. Será que Deus não poderia fascilitar mais as coisas para mim, assim como ele facilita para fulano, aquele safado?”

 

Já disse algumas vezes vezes que a “bênção” não é democrática. Uma frase tão controversa e desconfortável, quanto verdadeira. Você acha que Deus deveria ser democrático?

 

Não fique mal porque Deus é bom!

03 comments
Sem categoria,

Sou bispo ou cavalo?

 

Ocorreu-me a quatro anos quando andava pela praia pensando em tudo e em nada: “Sou eu um peão no tabuleiro de xadrez de alguém ou o outro é que é uma peça colocada em meu jogo?”

Muitos pensadores referem-se à vida como sendo um local de encontros e desencontros. Pessoas que entram em sua vida para serem protagonistas, depois saem dela – ou não. Nossa vida – é ensinado por muitos – como sendo um curso no qual pessoas te servirão e você servirá a pessoas. Cremos que assim Deus vai tecendo um lindo tapete que é a nossa vida.

Mas assim questionei: Mudei-me para Brasília para que a minha história fosse construída ou para construir a história de alguém que necessitava de alguma habilidade (ou inabilidade) minha? A Cida é hoje a nossa ajudante lá em casa porque precisamos dela ou é nossa família que é importante na construção da história da Cida? Fui contratado neste emprego para que eu recebesse uma bênção de Deus ou para que meu patrão recebesse uma bênção de Deus? Qual é o fio da meada?

Se a vida for comparada a um tabuleiro de xadrez, podemos comparar as pessoas, circunstâncias e escolhas como bispos, cavalos, torres, reis, rainhas e peões que vamos movendo, conforme nossa estratégia diz que será a melhor jogada, buscando segurança emocional e física, conforto espiritual, sentimentos de realização, felicidade e coisas que consideramos necessárias a nós. Movemos as peças no tabuleiro segundo nossos desejos, punções, fobias, crises, paranoias, necessidades e conhecimento. Tomamos decisões. A frase é tão óbvia, mas tão óbvia, que foi o Paulo Coelho que escreveu numa de suas obras: “Viver é tomar decisões”. Por vezes estamos ganhando o jogo, por vezes perdendo. Por um golpe, lágrimas convertem-se em riso e… Xeque-mate!

Concluí que todos somos peças no tabuleiro alheio, sendo que o nível socioeconômico define quem pertence ao tabuleiro de quem. Infelizmente é assim. Não existe igualdade. A bênção de Deus não é democrática. De maneira quase mesquinha e com vistas aos nossos próprios interesses, muita e muitas vezes movemos as pessoas que estão abaixo de nós como peças em nosso tabuleiro, visando a nossa vitória no jogo da vida, visando nossa felicidade… Nossos interesses. Quando o ser-humano exerce superioridade intelectual, financeira, social ou emocional sobre outro, o considera peça no tabuleiro de sua vida (conscientemente, ou não!). Mas não devemos nos enganar: Nós também somos peças nas mãos de outros. Todos somos peças! Será que sou um bispo ou um cavalo? E de quem? E para quais fins? Só não está sendo manipulada a peça que já morreu e saiu do jogo.

Jesus compreendia isto muito bem. Ele chamava este tabuleiro de vida e as regras deste jogo de “mundo”. Ele compreendeu que revolução política alguma seria capaz de mudar este cenário, mas ensinou que apenas o verdadeiro amor pensa primeiro no próximo e não em si mesmo e em seus próprios interesses.

Quando amamos as pessoas de verdade, não as usamos como peças do nosso xadrez, mas as respeitamos e buscamos o melhor para elas.

Amar o amor de Jesus significa jogar não para ganhar, mas viver para empatar o empate da Graça. Mover as peças não para o buraco, mas entender que as pessoas que passam em nossas vidas devem em primeiro lugar serem servidas. Se eu primeiro me sirvo das pessoas-peças, estou sendo um jogador mundano e não tenho conversão.

Conversão é não querer ganhar, mas deixar que Deus mexa as peças.

Pois, no fim das contas, esta partida tem um juiz – que não gosta de jogo roubado.

 

Luciano Maia

Brasília, Carnaval de 2013.

 

Agora, pausa para a arte!

 

07 comments
Sem categoria,

Deus, o homem e o tempo

 

Pensar sobre o tempo cotidianamente parece ser uma tarefa simples. “Daqui a pouco eu tenho um compromisso”, “mais tarde irei jantar com os meus pais”, “em duas semanas irei viajar”, “faz 10 anos que me casei” são exemplos de frases que implicitamente evocam da mente humana uma certa noção do tempo. Nota-se, em todas elas, que o tempo em si não é definido, mas apenas intervalos de tempo são mencionados. Mas então, o que é propriamente o tempo?

 

É uma questão muito difícil de ser respondida, mas a princípio, é possível medir o tempo. De acordo com o Sistema Internacional de Unidades, a unidade padrão para que se possa medir o tempo é o segundo. Historicamente, o segundo era definido em termos da dimensão e rotação terrestre (em termos mais precisos, 1/86400 de um dia solar médio). Atualmente há uma definição mais precisa do segundo, definida em termos do período de radiação do átomo de césio 133. Mesmo com a definição de um padrão, ainda assim não se chega a uma resposta do que é o tempo.

 

Albert Einstein, uma das maiores mentes do século XX e desenvolvedor da Teoria da Relatividade, numa tentativa de definir o que é tempo disse que ele é “uma ilusão. A distinção entre passado, presente e futuro não passa de uma firme e persistente ilusão.” Essa ilusão de que Einstein fala está ligada intimamente à percepção humana do que é tempo. Intuitivamente, nossa experimentação nos diz que o tempo se divide em passado, presente e futuro. 

 

Santo Agostinho, no Livro XI de sua famosa obra “Confissões” reflete sobre o que é passado, presente e futuro. Ele afirma que não existe passado e nem futuro, mas o que realmente existe é nossa experimentação contínua de um presente. E por que o passado e o futuro não existem? Segundo o Bispo de Hipona, o passado é aquilo que vem até nossas memórias, e não os fatos em si, que já deixaram de existir. Por exemplo, lembramos de nossas brincadeiras quando éramos crianças, e isto são memórias de acontecimentos que já não podem mais existir. Quanto ao futuro, isto seria uma esperança daquilo que ainda há de vir, portanto ainda não existe. 

 

A conclusão de Agostinho, portanto, é que existem três tempos: presente do passado, presente do presente e presente do futuro. Presente do passado porque o passado só existe como uma memória no presente. Presente do futuro porque é aquilo que se espera que aconteça. E assim, a nossa percepção, ou o nosso espírito, vive nesse presente do presente, pois é aquilo que existe.

 

Até aqui refleti sobre o que é tempo, apesar de não chegar a uma resposta definitiva sobre o que ele realmente é. Mas de que vale tudo isso? Antes de afirmarmos qual valor tem essa reflexão, é importante ressaltar que existe um ser único tal que sua existência não está limitada ao tempo. Já que não se limita ao tempo, podemos dizer que ele não envelhece, não tem início e nem fim. Ou seja, não é algo criado, porque tudo que é criado tem início, meio e fim. Esse ser, o qual o conhecemos como Deus, é eterno, e na eternidade determinou o início e o fim de tudo aquilo que Ele criou. 

 

O esforço de compreender a natureza do tempo nos leva a um caminho que é uma tentativa de conhecer Aquele que se apresentou a Moisés como “Eu Sou” (Ex. 3:14). Note que Ele não era, e nem será. Ele É! É como se Deus vivesse um eterno hoje. Para Ele nada se passa, e nada vem. É como se o tempo, que tem início e fim, fosse um único ponto, e Deus, que possui sua existência fora da limitação do tempo, observasse esse ponto em que se encontra passado, presente e futuro. Ele sabe tudo sobre o passado, assim como conhece o hoje e o que há de vir. 

 

Entender sobre Deus e sua natureza (em especial, sua eternidade) nos leva a uma compreensão de nós mesmos. Compreender (não de uma forma exaustiva) o divino acaba apontando para algo em nós: nossa temporalidade. Certo é que, diante de um ser que transcende nossa compreensão, nós somos apenas um grão de poeira diante dEle. É como Moisés, no Salmo 90, disse: 

Tu os arrebata no sono da morte; são como a erva que cresce de madrugada, de madrugada cresce e floresce, e à tarde corta-se e seca” (Sl. 90:5-6). 

O que somos nós diante dessa experiência tão visceral que é o tempo? Os anos se acumulam em nossas costas, nós mudamos e então a morte dessa vida nos arrebata. Assim, vemos uma importância sobre refletir o que é o tempo: temos consciência da nossa limitação  e fragilidade, e assim, recorremos e adoramos Aquele que é, que não envelhece, que não muda e é imortal. 

 

Além desse chamado a adorar o grande Deus, refletir sobre o tempo nos traz sabedoria. No mesmo Salmo citado no parágrafo anterior, Moisés diz “Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos o coração sábio” (Sl. 90:12). Essa sabedoria, que não vem de nós, mas sim do Senhor, pois é Ele quem nos ensina, não está relacionada só a uma contagem de números quanto ao nosso tempo de vida. Sabemos que geralmente “a duração de nossa vida é de setenta anos, e, […] alguns, pela sua robustez, chegam aos oitenta” (Sl. 90:10-a), entretanto, o que seria a contagem do tempo? Certamente aqui não é o caso de recorrermos ao padrão definido pelo SI sobre o que é tempo para mensurarmos uma certa quantidade, mas sim, sobre o quão rápido é nossa peregrinação aqui na terra. Pois, certamente, Deus não nos fez para simplesmente estarmos limitados a essa frágil temporalidade. O quão perturbador seria se nossa existência fosse presa à mortalidade do nosso corpo. Mas Deus nos criou para louvor e glória dEle, e colocou em nossos corações a eternidade (Ec 3:11). 

 

Que ao refletirmos sobre o tempo possamos reconhecer a grandeza de nosso Criador e louvá-lo por isso. Que também possamos reconhecer nossa pequenez e fragilidade diante do Deus imortal e do tempo, para que assim alcancemos um coração sábio. Finalizando o texto, gostaria de deixar duas citações: 

“Antes que os montes nascessem, ou que formasses a terra e o mundo, de eternidade e eternidade, tu és Deus.” (Sl. 90:2)

És grande, Senhor e infinitamente digno de ser louvado; grande é teu poder, e incomensurável tua sabedoria. E o homem, pequena parte de tua criação quer louvar-te, e precisamente o homem que, revestido de sua mortalidade, traz em si o testemunho do pecado e a prova de que resistes aos soberbos. Todavia, o homem, partícula de tua criação, deseja louvar-te. Tu mesmo que incitas ao deleite no teu louvor, porque nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso.”

(Confissões, Livro I, cap. I- Louvor e Invocação; Santo Agostinho)

 

JOÃO!

 

0
Sem categoria,

Ah! Se eu fosse um deus…

PARTE I:
Como posso aceitar um Deus que permite que as pessoas construam casas nas encostas dos morros fluminenses e depois este mesmo deus depois permite “que chova três dias sem parar”?
Como aceitar um deus que envia um dilúvio que matou tanta gente? Famílias e famílias foram dizimadas (do mesmo jeito que atualmente ele continua fazendo com a famílias fluminenses). Só sobrou mesmo Noé e sua família… O resto, Deus levou! Sequer sobrou voluntários para exercerem solidariedade. Como posso compreender um deus que deixa um terremoto ceifar vidas no Haiti? Como posso entender um deus que permite que uma onda gigantesca engula grande extensão de terras na Ásia, matando tantos inocentes?

Como posso aceitar um deus que criou um planeta que cospe fogo por meio de vulcões, sendo que apenas um deles, o Vesúvio, soterrou com lava toda a cidade de Pompéia, matando em poucas horas todos os seus 30 mil habitantes? Uma crueldade divina.

Como posso crer num deus que permitiu que um asteroide atingisse a Terra há 65 milhões de anos, extinguindo todos os dinossauros? Um sadismo cósmico.

Como posso eu compreender um deus que fez um planeta todo errado… Um planeta vivo, que respira, que venta, que se movimenta, que promove chuvas fortes e fracas. Que cria ondas grandes e pequenas, que esquenta e que esfria. Que está vulneravelmente flutuante na Via Láctea, sem nenhuma grade de proteção para impedir que outros corpos celestes viajantes o atinja.

Aliás, como aceitar um deus que cria outros corpos celestes vivos e magnificamente viajantes, turistas intergalácticos, que em seus perpétuos passeios ameaçam o descanso dos planetas vizinhos?

Ou deus não existe ou ele fez tudo errado…

Se fosse feito por mim, o Planeta Terra, não teria ventos, nem marés, nem ondas, nem placas tectônicas, muito menos chuvas ou tempestades. Eu teria feito um planeta mais estéril, mais morto, mais paradinho.

Se eu fosse deus, não teria feito a evolução geológica, não… Nem qualquer manifestação da natureza.

Deus não poderia ter sido tão cruel permitindo a evolução das coisas. Deus deveria ter sido um pouco mais criacionista e menos evolucionista.

Revolto-me com deus por ele ter sido tão naturalista-evolucionista, dando ao planeta tanta liberdade de desenvolvimento e crescimento.

——————————–

PARTE II:

Como posso compreender um Deus que deixa tanta gente morrer de fome na África? Se eu fosse um deus não seria assim, mas eu mataria num grande terremoto os que oprimiram e oprimem os africanos. Se eu fosse um deus eu mataria afogadas (ou nem deixaria nascer) as pessoas que desmatam o Brasil, provocando catástrofes.

Como posso entender um deus que permite que os homens tenham o livre arbítrio? Herodes, Gengis Khan, Stálin, Hitler, Mao Tsé-Tung, Che Guevara, Somoza, Pinochet, Ceausescu, Saddam Hussein, Mugabe, Idi Amin-dada… Todos eles perpetraram holocaustos, torturas, censura política, corrupção, genocídios… Todos eles, em continentes diferentes, causaram a destruição e a morte de milhares, de milhões de seres humanos, homens, mulheres e crianças, em nome de regimes totalitaristas, de ideologias políticas, de uma sede sádica de poder. Mas se eu fosse um deus, seria diferente: Ou não deixaria você fazer o que você quer fazer ou providenciaria grandes tsunamis para acabar com todos os homens que fazem o que querem… Se eu fosse um deus, o mundo seria muito, muito melhor. Este seria um planeta de paz.

Se eu fosse deus, apenas eu seria o Grande Ditador, e não deixaria as pessoas fazerem o que querem. Não deixaria o homem ter poderes e vontades e assim não existiriam os ditadores sanguinários e nem pessoas morando em casas com mais de 200m². Todos seriam os meus títeres.

Como posso aceitar um deus que criou o homem, assim, tão cheio de liberdades? Tão dono de seu próprio nariz? Tão decisor entre o bem e o mal? Tão livre para amar e fazer o bem ou para matar e propagar o mal? Assim, tão… Humano!

Como posso eu compreender um deus que fez os homens que fazem as guerras? (seja guerra com o seu vizinho, seja contra outras nações). Que fez você que adultera? Que fez pessoas que traem os amigos? Que roubam do Estado? Que se fingem de cegos ante a injustiça social que promovem ao negar vê-la? Se eu fosse um deus, faria com que um asteroide caísse violentamente na cabeça destes homens voluntariosos.

Ou deus não existe ou ele fez tudo errado…

Se fosse feito por mim, o homem, não teria vontades, nem artes, nem poesia, nem paixão, ne, tesão, nem amor e sequer opinião própria. Eu teria feito um homem mais estéril, mais morto, mais paradinho.

Se eu fosse um deus, não teria feito a evolução humana ou qualquer manifestação emocional.

Ah! Se eu fosse um deus…

 

Luciano Maia

 

———————————

E por falar em liberdades humanas, veja o que este filme publicitário nos revela sobre o mau comportamento dos indivíduos…

Este outro filme é outro exemplo que também nos faz pensar sobre nossas influências sobre os rumos da humanidade.

033 comments
Sem categoria,

SONHOS…

Sendo o desejo filho da falta, o sonho é seu neto.

Um dos aspectos que diferencia o homem dos demais animais é a sua capacidade de sonhar. Habilidade que, ao lado do “telencéfalo altamente desenvolvido e o polegar opositor”, permitiu que saíssemos das cavernas*, tal qual Deus nos pôs. Como é bom sonhar. Não se paga imposto algum e podemos criar as mais impensáveis aventuras, propósitos e criações. Jovens são especialistas nisto. Jovens sonham fácil. Jovens sonham com um futuro brilhante, um casamento feliz ou tudo o que os possa fazer felizes.
Uma das diferenças entre os jovens e os velhos é a capacidade de sonhar, intrínseca no primeiro grupo, adormecida no segundo.

 

Porque o tempo tem a capacidade de diminuir nossa habilidade onírica?

 

Para um jovem é adequado ser sonhador, posto que todas as alternativas estão disponíveis em sua frente. Qual caminho devo seguir? Há vários! Tudo ainda é possível e cada decisão pode nos levar a lugares incríveis. Podemos tomar decisões responsáveis que nos levem ao prazer ou irresponsáveis que nos causem sofrimento – ou vice-versa – não há regras muito definidas. Um fato é que algumas escolhas eliminam outras. Algumas portas que abrimos fecham outras e a vida torna-se um grande funil, o qual limita possibilidades e sonhos. Daí os velhos não terem, na lógica existencial, muitas opções.

 

Outro fator é que o tempo não é elástico. Quando jovens, sequer lembramos-nos de sua existência, pois “eu tenho todo tempo do mundo”. Decorrido este, nosso relógio biológico vai avisando que não temos mais muitas oportunidades para errar, ou seja, o racional suplanta o emocional. Os sonhos não encontram mais muito espaço.

 

Sonhar é coisa de jovem!

 

Sonhar é coisa de jovem?

 

Tem um trecho na Bíblia que diz que quando o Espírito Santo for derramado sobre as pessoas “os velhos sonharão”… Este trecho é muito interessante, pois o autor em seu discurso começa a inverter as características próprias dos jovens e dos velhos.

 

Alguém já disse: “…nunca roube o sonho de ninguém, pois esta pode ser a única coisa que ela tenha…”.

 

Lembro-me de quando eu era criança. Como eu era parecida com as demais… Como eu sonhava! Em minha imaginação eu criava um futuro brilhante para mim, cheio de coisas boas. Alguns anos e cicatrizes mais tarde eu perdi a capacidade de sonhar. Isto aconteceu num momento especialmente difícil, no qual as muitas perdas massacraram minhas esperanças, inclusive entrei em depressão. Não via em minha frente razões que pudessem justificar a minha existência e não sonhava mais, nem dormindo, nem acordado.

 

Creio que um dos grandes milagres que de Deus em minha vida foi a minha reabilitação onírica. Se estou usando este computador ou a internet, foi porque pessoas sonharam em criar novas tecnologias. O mundo roda em função dos sonhos de alguns.

 

Você e eu rodamos quando sonhamos e ficamos estagnados quando este vai embora.

Não perca a sua capacidade de sonhar. Brigue com si mesmo para manter esta capacidade acesa! Caso ela esteja adormecida “desperte seus sonhos”. O Espírito Santo permite que velhos sonhem. Veja quantas pessoas construíram coisas interessantes já em idade avançada! Seria até enfadonho citar algumas destas pessoas aqui.

 

Se o medo nos paralisa, o sonho nos dá asas!

Gostaria que você assistisse este filme, que tem muito à ver com o que estou dizendo e está sendo o grande hit da internet nesta semana. Imagine: Uma senhora escocesa interiorana que não teve grandes oportunidades na vida porque viveu para cuidar de sua mãe doente – nunca sequer teve um namorado! Uma vida desperdiçada? Mas, apesar de tudo, ela sempre teve um sonho: ser uma cantora profissional. Nunca desistiu deste sonho impossível. Neste filme ela conta o seu sonho e, claro, é ridicularizada publicamente. Mas veja o que aconteceu depois.

 

Ainda bem que Susan, mesmo no alto dos seus 47 anos de idade não desistiu do seu sonho. Não desista você dos seus.

O filme é antigo e manjado; mas para quem ainda não conhece, é imperdível.

Britain’s Got Talent 2009 – Susan Boyle por glide64

*Momento exegético-hermenêutico:

Questionado por um leito, apresento esta linha de raciocínio: Estivesse você hoje numa floresta, sem ferramentas de metal, sem noções construtivas de habitação, o que você preferiria para melhor alojar-se: uma árvore ou numa caverna? Claro que a segunda opção é mais adequada para uma pessoa que usa racionalmente o telencéfalo altamente desenvolvido dado por Deus. Não há dúvida que Adão, inteligente como era, preferiu a praticidade, segurança e o conforto de uma caverna do que viver em ávores ou arbustos, como um macaco.
07 comments