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VOCÊ FOI DESPEJADO…

Party Is Over

Chama-me a atenção o fato de Deus tirar Abraão de sua terra para envia-lo a um lugar longe e distante… Como consequência ele se tornaria um despatriado patriarca de um novo povo. Abraão teve de deixar seu conforto sócio-existencial, correr perigos, caminhar sem rumo e ter dúvidas e medo para tornar- se um ícone da religião judaica, a qual não fundou, mas foi fundada com base em sua jornada. Seu filho, Isaque, teve destino semelhante ao tornar-se também um errante. E o mesmo com seu neto, Jacó.

Em sua velhice, Jacó já não mais era um errante. Confortavelmente sedentário com seus doze filhos, ele nada mais planejava, senão, morrer, vendo sua descendência prosperar em netos e bisnetos… Mas uma terrível  seca, vinda da parte de Deus faz que ele e toda sua família novamente fossem desalojados, deixando sua “terra prometida” e migrando para o Egito, onde o Senhor estava abençoando os adoradores do deus Ráh!

Neste tempo, seu filho desaparecido, José, já era o governador daquelas terras, pois foi o primeiro da família a ser desalojado: foi expulso da presença da família do pai, por obra do Deus que planejou sua escravidão.

Mais de um século depois, os descendentes de todos estes que estiveram no Egito, já numerosos, novamente foram desalojados, retornando para onde José passou sua infância com o pai Jacó. Meu Deus… Quanta mudança forçada!

Outro conhecido nosso, Jonas, foi desalojado e enviado para Nínive. Como não queria ir, virou comida de peixe, que, por fim, também o desalojou.

Jesus saiu de casa aos trinta e virou um andarilho! De sua casa ele não poderia promover a revolução cultural a qual deu início.

Seus seguidores também caminharam sem economia. Paulo, por exemplo, foi parar em Roma… Imagine… Foi bater noutro continente! Foram meses (ao menos seis) numa viagem desconfortável e perigosa.

Deus é um especialista em desalojar! Seu Espirito está sempre mudando o ser-humano. Arrancando-o do seu lócus. Se não físico, ao menos do lócus existencial. Sim, o Espirito de Deus nos tira do conforto existencial… Nem sempre experimentamos um desalojar físico, mas para os que são movidos pelo Espirito, sempre haverá um desalojar existencial.

Por vezes nos acomodamos em nossas existências. Mas basta um vento (Huáh) para arrancar nossas raízes da terra velha, nos incomodar, nos mudar daqui pra lá, das certezas, para incertezas, do certo, para o duvidoso. Sempre uma novidade! Mais que nós, Deus gosta mesmo é de novidade: Nova aliança! Vinho novo! Novo mandamento! Novidade de vida! Quando nos acomodamos, Ele traz o novo caminho, que para trilhá-lo, só mesmo desalojado.

Quando nos acomodamos em nosso erro, Ele balança nossa árvore existencial, derruba as frutas podres e, se necessário, poda-nos! Toda mudança gera crise, e nesse desalojar do velho e do inútil, inevitavelmente vem a crise da mudança. Os benefícios da mudança nem sempre são imediatamente observados e absorvidos, mas apenas tempos depois. O desalojar de Abraão não fez qualquer sentido para ele, pois ele não viu o resultado prático do seu desalojar, o que foi percebido somente nas gerações futuras, quando ele não mais existia.

Se você perceber que está sendo desalojado, física ou emocionalmente, não resista à ventania do Espirito, mas se deixe levar, como um barco à deriva no oceano da vida, deixe-se ser levado para onde a Huáh o levar.

Não tema o novo.

Não se apegue demais ao velho.

“Não ande ansioso pelo dia de amanha”, nem pelo que ele trará, nem pelo que ele tirará.

Desapegue-se! Assim você sofrerá menos e curtirá mais sua viagem, quando você for desalojado.
Deus, leva-nos! Leva-nos para onde quiseres!

Luciano Maia.

 

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O comercial abaixo da Volvo protagonizado por Van Dame foi real e arrebatador… Tanto que rendeu algumas paródias.

O astro dos filmes de ação Chuck Norris foi escolhido como protagonista para uma paródia natalina do comercial da Volvo com Jean-Claude Van Damme, sucesso na internet em 2013.

Uma empresa de animação resolveu mostrar, também abaixo,  como seria a versão de Norris para o espacate feito por Van Damme. Se no original a habilidade física do ator causou espanto, o substituto totalmente criado no computador para o novo filme consegue ir além. Falar mais estragaria a surpresa.

A responsável pela animação é a Delov Digital, da Hungria. O anúncio original da Volvo fez sucesso na internet, alcançando o posto de 10º vídeo publicitário mais compartilhado do ano. Confira a paródia.

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Nóia ou Metanoia? (parte 2)

Por Stevan Maia Camargo Correa

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Romanos 12:2

 

Recentemente, escutei em uma pregação que, diferente do que me foi ensinado e talvez também a muitos de vocês, o primeiro pecado, cometido por Adão e Eva no Éden não foi a desobediência. Segundo o pregador, a desobediência foi o segundo pecado, o primeiro pecado, que os levou à desobedecer, foi a falta de fé. Antes de desobedecer, quando tentados, duvidaram do Senhor (Genesis 3:1-5). Em outras palavras, é a falta de fé que nos leva à desobediência e, por consequência a todos os demais pecados. Mas isso não significa que não podemos ter dúvidas. Ter dúvidas, ter questionamentos, é algo bom, pois nos impulsiona a buscar a verdade e compreender a verdade, ou seja, conhecer a Jesus, pois Ele é o caminho, a verdade e a vida (João 14:6). O que é pecado em si e também nos leva a outros pecados não é ter dúvidas, mas sim ‘duvidar’, entende a diferença? É a fé, única contrapartida possível em resposta à salvação pela graça de Deus, que quando não se apresenta, como vemos em Gênesis, nos leva à desobediência e por fim, também à falta de arrependimento (Gênesis 3:9-13).

 

Arrependimento é a tradução para o português da palavra grega metanoia. E a primeira coisa que precisamos entender quando se fala de arrependimento é que essa palavra é muito mal utilizada em nosso dia-a-dia. Arrependimento é uma palavra que apresenta uma série de sinônimos em nosso idioma, mas é preciso saber que o seu significado real – principalmente em seu contexto e subtexto – na maioria das vezes não tem nada a ver com a palavra grega de origem.

 

Metanoia significa conversão, mudança de mentalidade, de direção. Contudo, na esmagadora maioria das vezes que lemos, ouvimos ou falamos em arrependimento, estamos pensando em algo muito diferente, algo que chamarei aqui de remorso, palavra que tem origem no latim medieval e significa “tornar a morder” e está ligada a simples medo da punição.

 

Agora, porém, me alegro, não porque vocês foram entristecidos, mas porque a tristeza os levou ao arrependimento. Pois vocês se entristeceram como Deus desejava e de forma alguma foram prejudicados por nossa causa. A tristeza segundo Deus não produz remorso, mas sim um arrependimento que leva à salvação, e a tristeza segundo o mundo produz morte.

2Coríntios 7:9-10

 

Para entendermos então a diferença entre arrependimento (metanoia) e o remorso, imagine a seguinte situação: Eu cometo um assassinato e sou preso pela polícia. Na delegacia sou entrevistado por um daqueles programas policiais que fazem tanto sucesso e geram tantos memes. Na entrevista o repórter me pergunta: “você está arrependido?”. Entristecido, respondo que sim. Mas teria sido mais sincero se tivesse respondido “Claro… me pegaram”. Em uma situação como esta, não estou realmente arrependido, demonstro apenas remorso. Não estou arrependido do meu crime, de ter tirado a vida de outra pessoa, estou apenas entristecido por ter sido preso e com medo da minha punição. E não quero dizer que eu não poderia ainda me arrepender do meu pecado, mas que normalmente, é apenas o medo da punição que nos move e isso. Meus irmãos, isso não é metanoia. O arrependimento acontece quando, não por medo, mas por consciência, reconhecemos que o que fizemos é errado e a partir de então, passamos a buscar agir de forma diferente, não por medo de alguma punição, mas pela busca da verdade, do bem, por gratidão, por amor, sem interesse, sem querer nada em troca, pois foi para isso que fomos chamados por Deus e só assim não seremos escravos de nossos pecados.

 

Disse Jesus aos judeus que haviam crido nele: “Se vocês permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos. E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”.

João 8:31,32

 

Agora mudemos o exemplo de pecado acima para o que acontece quando tiramos uma nota ruim em uma prova: buscamos estudar e nos dedicar mais ou apenas inventar uma nova forma de “colar” e trapacear? O que nos move é querer aprender, ou termos medo de não passar de ano? E se o exemplo for de algo que peguei quando ninguém estava olhando? Será que vou me arrepender e devolver aquilo que não me pertence ou apenas ter remorso se um dia for descoberto? E se o exemplo for uma gravidez indesejada? Estaremos arrependidos por termos sido irresponsáveis com o sexo fora do casamento ou simplesmente com remorso pelo resultado “imprevisível” daquele ato?

 

Meus irmãos e irmãs, nosso Senhor Cristo Jesus, Seus apóstolos e todos os Seus discípulos, lhes dizem: “arrependam-se” e “não pequem mais.” (Mateus 4:17, 3:8, 3:11, Marcos 1:4, Lucas 3:3, 3:8, 5:32, 15:7, 24:47, João 5:14, 8:11, além de várias passagens em Atos dos Apóstolos e em muitas das epístolas apostólicas).

 

Stevan Maia de Camargo Corrêa

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RESILIÊNCIA, ESTOICISMOE E ESPERANÇA!

Sempre que chamamos alguém de “estóico”, pela maneira de lidar com os desafios da vida com resiliência e calma estamos homenageando uma das escolas filosóficas mais icônicas da nossa história. Originado na Grécia por volta do ano 300 AC, o estoicismo foi, por muitos séculos, a filosofia mais popular no mundo ocidental, ensinando conselhos práticos sobre como as pessoas poderiam prosperar em tempos de incerteza e superar suas ansiedades.

 

Os estoicos são os pensadores ideais para nossa época ansiosa. Eles enfatizam que as coisas tendem a não acontecer como idealmente gostaríamos, como a má sorte, ou uma decisão consciente tomada por pessoas distantes e poderosas, pode estragar nossos planos. Precisamos ouvir isso. Os estoicos queriam saber como poderiam lidar com o caos, oferecem uma correção intrigante e valiosa à hipótese de que tudo ficará bem e nos convidam a entrar em sua busca por ordem, calma e razão em um mundo difícil. Acho que os Estoicos gostariam muito de ter conversado com o Apóstolo Paulo de Tarso, que tanto falou sobre o tema “esperança”.

 

Reunimos aqui alguns dos melhores insights e frases de grandes pensadores estoicos e os combinamos com a aplicabilidade a nossas próprias vidas.

 

“Se você tem a disposição para dominar a raiva, ela não pode dominar você.”

Sêneca

Para dominar a raiva, precisamos mudar nossa ideia sobre o que é normal.

 

“Pouquíssimas coisas são necessárias para ter uma vida feliz.”

Marco Aurélio

Vamos prestar menos atenção a vaidade e fofoca e, em vez disso, meditar regularmente sobre o conteúdo da nossa mente.

 

“Para diminuir suas preocupações, você deve presumir que o que teme que aconteça com certeza acontecerá.”

Sêneca

Sempre devemos pensar no pior cenário possível

 

“Os seres humanos são perturbados não por eventos, mas pelo sentido que dão a esses eventos”

Epíteto

Muito do nosso sofrimento está não em nossas circunstâncias, mas sim em nossa atitude com relação a elas.

 

“Nunca anseie agradar a multidão”

Quinto Séxtio

Devemos viver nossa vida em nossas próprias condições, segundo nossos princípios e crenças.

 

Tudo isto foi dito por pessoas nascidas mais ou menos 300 anos antes de Cristo. Contudo, podemos enxergar no conteúdo destas frases muito do que posteriormente foi chamado de “ética cristã”, uma vez que Jesus e seus seguidores construíram um sistema filosófico que valoriza um comportamento calmo e controlado, mesmo ante às agruras da vida.

 

Aliás, sejamos justos, mais ou menos 400 anos destes filósofos estoicos terem nascidos, um outro cara, também filósofo, chamado de Rei Salomão, também introduziu ideias inéditas que possuem forte ponto de contato com muitas das filosofias gregas que surgiram quatro séculos após seu nascimento, e também antecipou muito do que filósofos alemães e franceses disseram milênios depois dele. Não à toa Salomão foi considerado o homem mais sábio que este planeta conheceu. Leiam Salomão!

 

Eu sou “Estoicista”? Não. Apesar de concordar com muita coisa que eles disseram. Se eu tiver que escolher uma linha filosófica clássica, eu escolheria e me definiria como “Epicurista”. Mas também, não. Não sou totalmente “Epicurista”. Caso existisse esta definição na filosofia, eu diria que sou “Salomonista” (acho que este é um neologismo – não achei esta expressão no Google). Digo “Salominista” porque encontro nas obras “Eclesiastes” e “Provérbios de Salomão” (ambas de autoria do Rei Salomão) a linha filosófica que melhor guia minha existência e formata meu comportamento. Particularmente penso que a estrutura de pensamento de Salomão antecipou as escolas Epicurista e Estoica que surgiram bem depois dele.

 

Onde podemos chegar com toda esta filosofada de hoje? Acho que ser “Salomonista” é ser mais ou menos como bem definiu o sábio paraibano Ariano Suassuna, que disse:

“O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso”.

 

Enxergo tanto a sabedoria salomônica quanto a ética cristã nesta frase de Suassuna. E acho que eu sou isto aí, um realista esperançoso: minha alegria provém da esperança, que jamais deixo morrer, sempre aguardando um futuro melhor; porém, nunca me cego para a concretude da realidade existencial e não deixo de enxergar a vida, dura como ela realmente é. Me ajude, Deus, a viver o dia de hoje!

 

Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração.
Romanos 12:12

 

Luciano Maia

(com contribuição de TSOL)

 

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Nóia ou Metanoia? (parte 1)

Por Stevan Maia de Camargo Corrêa

Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia. – Provérbios 28:13

 

Essa semana me lembrei de quando era adolescente e um amigo, olhando para o baseado que tinha em sua mão, me disse com aquela voz apertada de quem acabou de dar uma bola: “drogas é bom, porque se não fosse, ninguém usava”. Mesmo sendo usuário de drogas naquela época, eu já compreendia que essa fala levava em conta apenas os efeitos imediatos, lisérgico e até mesmo lúdicos, daquilo que nós consumíamos, mas não considerava as consequências a médio e longo prazo, tanto para nossa saúde física e psicológica, quanto para nossa saúde social e espiritual.

 

Todas as drogas tem algo em comum, não importa se lícitas ou ilícitas: seja álcool, cannabis ou chocolate; seja cocaína, LSD ou fast-food; seja uma superdosagem de Benflogin, Lexotan ou pornografia: todas essas coisas tem potencial para nos escravizar.

 

Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão. – Gálatas 5:1

 

E para não se tornar vítima de nenhuma delas é importante que conheçamos a nós mesmos e ao nosso inimigo – já diria Sun Tzu (autor de “A Arte da Guerra”). Em outras palavras, é preciso conhecer como funciona a nossa mente e como aquilo que consumimos atua sobre ela.

 

Nosso cérebro pode ser dividido entre a mente racional, com sede no neocórtex e as mentes emocional e instintiva, chamados sistema límbico e reptiliano.

 

É uma falácia dizer que animais não são racionais, pois outros mamíferos também possuem neocórtex, mas nenhum tão desenvolvido como o do ser humano. Eu gosto de pensar no neocórtex como a sede do espírito, o que nos faz imagem e semelhança de Deus, pois é esta área do cérebro que realmente nos diferencia dos outros animais. Já o sistema límbico é o que a Bíblia chama de carne.

 

Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca. – Mateus 26:41

 

Enquanto o neocórtex é a sede do raciocínio, da consciência e da linguagem, nos fazendo humanos; o sistema límbico é sede das emoções e é o que nos faz animais. Este sistema está ligado à sobrevivência do indivíduo e da espécie: sua função é evitar a dor e buscar o prazer. Abastecido pelos instintos do cérebro primitivo, ele funciona por ação e recompensa, tendo como moeda um neurotransmissor chamado dopamina.

 

A dopamina é a molécula do vício. Quando nós usamos maconha, por exemplo, é o THC que gera as sensações que curtimos, mas é a descarga de dopamina que nos faz querer sentir essas sensações novamente. Contudo, os níveis de dopamina são gerados pela expectativa e não pela atividade em si. Assim, estar viciado significa querer cada vez mais, mas gostar cada vez menos. O usuário de drogas vai ficando “cabeção” e cada vez mais precisa de uma quantidade maior da droga para atingir a sensação desejada. Dizer que maconha não vicia é uma armadilha. Pode ser que eu não me vicie, mas isso não significa que outra pessoa não possa se viciar, pois o vício em cada droga depende de uma predisposição genética que algumas pessoas possuem e outras não. É por isso que hoje em dia, mais frequentes e até mais perigosas do que as drogas “tradicionais”, são o vício da compulsão alimentar e da pornografia, pois comida e sexo são coisas que, em nossos sistemas límbicos, todos nós fomos programados para buscar, pois essas são coisas diretamente ligadas ao instinto de sobrevivência do indivíduo e da espécie.

 

“Tudo me é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo me é permitido”, mas eu não deixarei que nada me domine. – 1 Coríntios 6:12

 

A obesidade é um mal moderno. Nossa mente nos faz desejar mais um hambúrguer suculento do que uma folha de alface porque comidas mais calóricas causam uma maior descarga de dopamina em nosso cérebro. É a dopamina que cria aquele “segundo estômago” para sobremesa. Na antiguidade, esse mecanismo era essencial para sobrevivência, pois o alimento era escasso e pouco calórico, hoje é apenas mais uma fonte de doenças cardiovasculares, diabetes, câncer… ou seja, mais um vício que devemos combater.

 

Jesus respondeu: “Digo a vocês a verdade: Todo aquele que vive pecando é escravo do pecado. – João 8:34

 

Hoje eu li que “abandonar o vício em pornografia é como tentar deixar de fumar, mas sempre ter um maço de cigarros no bolso”. Se você observar as estatísticas, o advento dos smartphones impulsionou a indústria pornográfica como nunca antes na história e criou uma legião de viciados. Pessoas sem nenhuma propensão para qualquer outro vício, se viciam em pornografia. Mas você se lembra que estar viciado significa querer cada vez mais, mas gostar cada vez menos? Pois é. O vício em pornografia pode gerar uma série de consequência como disfunções, perversões e frustrações sexuais. O orgasmo é o maior ativador de dopamina que existe, fazendo do desejo reprodutivo a maior força motivacional da natureza. Não é à toa que a Bíblia fala tanto da importância do domínio próprio frente aos desejos sexuais.

 

Por isso digo: vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne. – Gálatas 5:16

 

Um experimento realizado com ratos mostrou que as cobaias preferiam dopamina à comida até o ponto em que literalmente morriam de fome. E apesar de tudo isso, a dopamina em níveis normais é importante para as nossas vidas. Os problemas acontecem quando há um desequilíbrio deste neurotransmissor, causando vício e desencadeando doenças como ansiedade e depressão. Assim, se você não se deixar dominar, nem se embriagar, o vinho não lhe fará mal (Provérbios 20:1, Efésios 5:18, 1 Timóteo 5:23).

 

Para encerrar, gostaria de propor uma meditação para cada um de nós. Pense em uma coisa que você gosta muito: pode ser uma droga, uma comida, sexo, exercícios físicos, um jogo eletrônico… Pense nisso e, em seu íntimo, responda “sim” ou “não” às perguntas abaixo:

 

  1. Esse hábito aumentou (em quantidade, tempo ou intensidade) desde que você o iniciou?
  2. É algo que você sente falta se ficar muito tempo sem?
  3. A falta ou excesso disso afetam seu humor?
  4. Você sente dificuldade de controlar esse hábito?
  5. Você deixa de fazer ou adia outras atividades por causa deste hábito?
  6. Você já tentou deixar esse hábito, mas não conseguiu?
  7. Você gasta uma quantidade significativa de tempo ou energia para planejar, obter, utilizar, esconder ou se recuperar após o uso?

 

Se você respondeu “sim” para 3 ou mais dessas perguntas, segundo a Sociedade Americana de Psiquiatria, você tem um vício. E se você quer se libertar de um vício de verdade, isso só é possível a partir do sincero arrependimento, chamado de metanoia.

 

Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; pelo contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor. Toda a lei se resume num só mandamento: “Ame o seu próximo como a si mesmo”. – Gálatas 5:13-14

 

Stevan Maia de Camargo Corrêa

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CONVERSÃO É CONCIENTIZAÇÃO.

Por Jonathas Bibas.

Quando se crê que está tudo resolvido em sua vida a partir da visão surpreendente do seu sentido humano de ser, estaria você realizado, no apogeu do seu status de criação do próprio reino e reinado, estabelecido pela força do seu próprio corpo mente e esforço, já no alto da conquista de suas dimensões de domínio e se preparando pra fazer o que todo ditador faria: desfrutar suas conquistas, gabar-se de estar no mais alto monte que conseguiu chegar, sem porem enxergar nada abaixo, e muito menos acima de si. Ego arrogante e prepotente, que seria bajulado pelos lados por aqueles que, porventura, pegariam carona nestas conquistas.

Resumindo o que eu estava vivendo até encontrar Cristo: existia apenas todas minhas conquistas, meu reino, meus súditos, tudo e todos que me serviam, compreendendo só meus interesses pessoais, não enxergando nada além disto. Poderia dizer que olhando esta foto eu estava certo de mim, por ter realizado a façanha subir ao alto… Todo resto estava na base, servindo… Foi o auge comercial, com seis lojas e 32 funcionários. Bastava conquistar para mim o restante, porque aquilo era só o começo do que estava por vir. Como visão: decolar rumo à lua, crescer e crescer…

 

Mas na minha mente eu me resumia em mim mesmo: não tinha mais nada além disso! Fui acometido da maior doença que se pode ter: a morte! Mas não só uma simples morte. Mas uma morte lenta, como um sorvete vaidoso, porém quando colocado ao sol, vai se derretendo, desmanchando… Para enxergar o que está acontecendo e tem que ser rápido, porque haverá tempo de recomeçar. Terá se perdido algumas de suas camadas do sorvete, mas se compreender quem ele realmente é, quem é seu criador e qual forma foi feito, ainda conseguira se recompor, não por sua própria força, mas a partir do entendimento do que se e feito e pra que se é feito. Porque está onde está e porque estar ali que o conduziu à sua essência no propósito original, ou seja,  dar sabor, não a si próprio, mas quem for usar do que se tem, a partir da vontade de quem fez. O autor reconhecimento é essencial, pois um simples estar fora do lugar poderá nos causar destruição.

 

Não fui criado para saborear, mas para ser saboreado, deleitado, apreciado. O que senti a partir de quem me criou, aquele que receberá toda o elogio (honra e glória) por ter ofertado o que é de melhor naquilo que pode apreciar do que que estou presente. Eu apenas sou um reflexo dos sabores do Criador. A criatura é objeto, para passar a quem usar o sabor do Criador. A criatura tem que se dar por satisfeito por estar sendo saboreado e lembrar que estamos enaltecendo o Criador. Complexa esta comparação. Mas podemos nos autodestruir por não conseguir enxergar tais coisas e vermos o que devemos ser e não o que queremos ser.

 

Passado um tempo fui colocado como renascido e ressurgido, tirada de mim as travas que estavam em meus olhos, que me segavam pra não ter visão e compreensão da minha verdadeira missão. Vi por meio de Jesus que mesmo ele sendo o próprio Deus, se esvaziou pra viver uma vida humana, que mesmo em seus piores terrores ficou como filho, na dependência do pai. Fora de meu entendimento antigo – que seria feita minha própria vontade e não a do pai – vendo se transformar e derreter toda a certeza, peço hoje que seja feita a sua vontade.

 

Tenho entendido como somos e para que somos criados. Passando a dar mais vazão ao Criador e esquecendo da criatura. Colocando nas mãos Dele meu destino, caminhando com firmeza pela palavra que nos foi dada e buscando o entendimento por meio das Escrituras. Posso afirmar que durante minhas batalhas da vida obtive mais derrotas que vitorias e que os despojos obtidos foram para que eu visse a verdadeira grandeza de Deus. Mesmo sendo tudo o contrário do que foi por mim projetado, ainda assim fui abençoado com uma grande riqueza, de ser colocado nos braços do Senhor, por ter sido poupado do meu próprio eu.

 

Sou grato ao Senhor pelo cuidado de retirar todas as pedras e espinhos. Sou grato ao Senhor poque, apesar das terras inférteis onde plantei minhas sementes, foram lançadas em terra o suficiente pra que houvesse colheita. Sou grato por convidar Jesus para caminhar comigo. Sou grato, Senhor, por despojar meu eu, para aceitar a sua verdade. Continuo sempre querendo firmar meus passos no seu caminho e estar recebendo ajuda para ter o melhor que o Senhor tem para cada um de nós.  Quero me permitir receber o melhor, permitir o agir de Deus.

 

Hoje faz 15 anos que tirei aquela foto e sei que pela visão que tenho fui renascido, como um bebê, para aprender a começar novamente a vida (que antes tinha um único destino: a destruição –  e teria levado várias pessoas ao meu lado a ruína espiritual). O destino de quem se afasta de presença Divina pode ser duro e terrível. Porém, hoje, caminhando com Jesus, eu tenho colhido frutos que são saborosos e que durarão para sempre.

 

Jonathas Bibas.

Julho de 2021.

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As melhores coisas da vida não são coisas!

Uma tarde de sábado atípica, pois fui preparar junto com amigos o retorno do Café com Deus aos domingos pela manhã.  Os debates e trabalhos consumiram toda a tarde e acelerei nervosamente para casa para não perder o show da vida após um sábado produtivo e feliz que fechou uma semana cansativa.

Moro num bairro com nome estranho. Este bairro  é no alto de uma encosta às margens do Lago Paranoá. Da minha casa vejo o pôr-do-sol da minha vida! As melhores coisas da vida não são coisas. Hoje estava especialmente absurdamente estrondosamente laranja (laranja é a minha cor, ok? Claro, por influência do Sr. Sol). Chego, com o sol a três minutos de dar seu majestoso tchau e vejo minha linda me esperando lindamente, abro um vinho frisante beeeeeem gelado e tchan…. Toca a campainha…. “Putz… Vou perde o show da vida….”

Neste bairro as campainhas não costumam tocar. Aliás, em Brasília campainhas não tocam sem aviso-prévio.  Mas, fui atender quem me incomodava em meu ritual existencial.

Duas senhoras, uma de 40 e outra de 80… _

-“Olá, não queremos vender nada, somos católicas e queremos pregar o evangelho por instrução do Papa Francisco…”.

Adeus sol, pensei. Mas, como não atendê-las? Convidei-as para entrar. Recusado o convite, a mais nova contou sua história de vida: moradora do bairro, abusada sexualmente aos 7 anos de idade e aos 30 novamente quando dois assaltantes invadiram sua casa e mantiveram toda família como refém. Contou do ódio que sentia da humanidade e do desejo de vingança que alimentava, mas que, após começar a frequentar a Paróquia Nossa Senhora etc e tal, foi curada do seu ódio crônico e não mais deseja o mal a quem mal lhe fez… Aprendeu a perdoar.

Quer coisa mais linda que esta? Isto se chama conversão: não desejar a justiça humana, não desejar retribuir o mal, não perpetuar sofrimentos, mas desejar o bem para quem mal lhe fez – basicamente o que Cristo ensinou (numa tradução livre).

Claro que não contei a elas que eu era pastor para não constrangê-las, mas aproveitei  aquela bela oportunidade para eu ser ministrado pelo Espírito Santo. Ouvi atentamente o testemunho, após o quê, ela abriu uma passagem bíblica linda. Bebi. Fui abençoado por elas.

Quando acabaram propus uma oração, a qual fiz em favor delas, as abençoando. Por respeito à diversidade, até sinal da cruz eu fiz… Choraram e foram embora dizendo  que ganharam o dia.

Saíram em busca de pessoas para abençoar e foram abençoadas. E eu, um pastor, fui abençoado por duas senhoras católicas que nada entendem de hermenêutica, exegese, alta-teologia, eclesiologia… Mas possuem o principal: amor. Deus é amor! Portanto, elas possuem Deus. E me deram um pedaço dele.

Deu ainda pra ver o finzinho do pôr-do-sol com minha amada, brindando a vida que Deus nos dá. Brindando a presença destes anjos que ele nos envia sem aviso-prévio. As melhores coisas da vida não são coisas.

 

Luciano Maia

Setembro 2015.

 

 

 

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Até onde vai a Soberania de Deus e o meu Livre-Arbítrio?

“Lembrem-se das coisas passadas, das coisas muito antigas! Eu sou Deus, e não há nenhum outro; eu sou Deus, e não há nenhum como eu.” – Isaías 46:9

 

Hoje me questionei sobre algo que eu mesmo havia dito há pouco tempo. No Café com Deus de domingo passado, falando sobre minha conversão, eu disse que Deus já vinha me chamando para servi-lo há muitos anos, mas que eu o negava. E que Ele respeitou a minha vontade e o meu livre-arbítrio até quando eu, tomado por um sentimento irresistível, não pude mais me esconder Dele e decidi então entregar minha vida em Suas mãos. Meu questionamento surgiu enquanto eu lia sobre a soberania de Deus e me pareceu que era um total absurdo, de uma petulância ímpar, uma verdadeira heresia, dizer que eu teria qualquer poder para “negar” a vontade Deus, ou que Ele havia “respeitado a minha vontade”, ou que eu próprio teria tido o poder para “decidir entregar minha vida em Suas mãos”. Mas antes que eu pudesse me arrepender do que havia dito, achando que se tratava de uma asneira sem tamanho, Deus tocou meu coração e me mostrou que as coisas não são tão simples assim, nem para um lado, nem pra o outro.

 

A soberania de Deus é um ponto pacífico e fundamental do cristianismo. Ainda assim, não é um tópico de fácil compreensão. Apresentada de forma prática nas profecias, na eleição e na predestinação, a soberania divina é resultado de alguns dos atributos intrínsecos e incomunicáveis de Deus: onisciência, onipresença e onipotência.

 

É pelo reconhecimento da soberania de Deus que, no passado, eu questionava Seus desígnios: “Porque Deus criou satanás, sabendo que cairia? Porque o deixa tentar a humanidade? Porque criou Adão e Eva, sabendo que dar-se-iam ao pecado?”. Ou ainda, de forma mais prática: “Porque Deus deixou acontecer aquele ato terrorista? Aquele terremoto terrível? Aquele acidente fatal? Porque deixou aquele bandido matar um inocente? Ou aquela criança morrer de câncer? Porquê?”

 

Para responder perguntas como essas precisamos estudar um outro conceito: o livre-arbítrio, que nos torna conscientes de nossos atos, consequentemente responsáveis por nossas escolhas e suas consequências.

 

Dicotomia discutida a fundo desde o início no séc. V entre Agostinho e Pelágio (com ramificações nos dias atuais), mesmo que pareçam conceitos opostos, a soberania de Deus não é anulada diante da liberdade que o Criador dá ao homem, pois é da vontade Dele que o homem seja livre: o que só acontece verdadeiramente quando a nossa escolha vai ao encontro da vontade de Deus (Romanos 6).

 

Ao mesmo tempo, a vontade consciente do homem é um fato, não se tratando de um simples engodo ou artimanha. Em suma, Deus, em Sua soberania, escolhe nos deixar livres para que, criados à sua semelhança, também possamos exercitar o poder de escolha, mesmo Ele já sabendo o que iremos escolher, pois o Deus eterno, em sua onisciência, se encontra além do tempo, além da física, além da própria criação. Assim, a predestinação não acha conflito com a vontade do escolhido.

 

Imagine Deus tendo que procurar outro Ananias, porque Paulo, em uma visão, enxergou um homem de nome Ananias orando por ele (Atos 9:10-18) e o primeiro Ananias que o Senhor procurou, tinha negado em fazer conforme a Sua vontade. Por mais que essa possibilidade seja cômica e pudesse gerar uma bela esquete de humor, algo assim nunca aconteceria, pois o Senhor conhece nossos corações e sabe todas as nossas escolhas, assim, desde o princípio, tinha que aquele Ananias responderia ao Seu chamado, mesmo que não o faça sem hesitação.

 

Perceba que Jesus aceita nossas escolhas. Cristo cura quem quer ser curado, mesmo que não saiba explicar a benção que busca (João 5:6). É preciso querer, é necessário crer, é fundamental que se tenha fé para que o milagre aconteça (Atos 14:9).

 

Mesmo que, a primeira vista, a soberania de Deus possa parecer incoerente com a liberdade do homem, o maniqueísmo desaparece à luz do amor de Deus por nós. Assim, a resposta para todos aqueles questionamentos acerca da vontade soberana de Deus é, a meu ver: “Por amor”. Tudo que acontece ou deixa de acontecer é pelo amor de Deus pela criação. Por cada um de nós. E você pode perguntar “mas então é por amor que Deus deixa uma pessoa matar a outra?”, e a resposta é sim, exatamente. “E é por amor que Deus deixa uma tragédia natural ceifar vidas?” e a resposta é que, mais que isso, Ele não só deixa, como Ele causa a tragédia que ceifa vidas. “E é porque o ama que Deus deixa um inocente morrer?”, e a resposta é que sim, e também que, na verdade, nenhum de nós é realmente inocente.

 

É fundamental reconhecer que somos maus. O ditado “de boa intenção o inferno está cheio” provem do simples fato que por vezes causamos o mal até quando achamos estar fazendo o bem. E cada um sabe o mal que seria capaz de fazer se não houvesse leis, códigos de conduta moral e, principalmente, a graça de Deus em nossas vidas.

 

Se entendermos que o mal é como a escuridão, não existindo por si só, mas surgindo a partir da ausência do bem, assim como a escuridão é simplesmente ausência da luz, podemos concluir que o mal nada mais é que o delta da distância entre Deus e cada um de nós. Talvez alguns mais distantes que outros, mas todos extremamente distantes.

 

Desta forma, compreendo que somos maus porque Deus nos ama. Porque Ele nos permite sermos nós mesmos e portanto, maus. Já que, por uma questão de lógica, se eu fosse bom eu não seria eu mesmo, mas o próprio Deus, já que Ele é o único verdadeiramente bom (Marcos 10:17-18). Por isso, quando Jesus nos pede para tentarmos ser como o Pai (Mateus 5:48) é para mirarmos no centro do alvo para quem sabe acertarmos ao menos na parte mais externa da borda, o que para nós já seria impossível, se não pela graça de Deus. Penso que é por Seu amor inexplicável, que Ele nos deixa ser quem somos, apesar de tudo.

 

Stevan Maia de Camargo Corrêa.

Outubro/21

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Viva com prazer!

Quando se fala em “prazeres” no contexto religioso, imediatamente o senso comum vincula esta palavra ao pecado. Afinal, são anos e anos, catecismos e catecismos, sermões e sermões, por meio dos quais se sedimentou a fixa ideia que prazer é algo carnal, e, portanto, pecaminoso, reprovável e que religião, ou Deus, é algo duro, rígido e, assim, a antítese do prazer!

Carne é pecado!

Neste contexto, se queremos prazer, fugimos de Deus, pois entendemos que uma coisa não anda de mãos dadas com a outra. Seguindo a mesma percepção, se queremos nos aproximar de Deus, tentamos largar de lado o que nos dá prazer, mesmo que hipocritamente.

Carne é pecado?

Ao se seguir à risca este raciocínio, a humanidade ocidental criou um tipo de religiosidade atrofiada que tem adoecido a sociedade por séculos e afastado as pessoas de qualquer relação honesta com o Criador.

Isto posto, na lógica que todo prazer é pecado, bem como que “carne é pecado”, podemos inferir duas suposições:
• Ou foi o diabo quem criou a carne (o corpo e todos os prazeres relacionados a ela);
• Ou Deus é um sádico, que criou a carne e seus prazeres para fazer o homem sofrer de culpa (morrendo de medo ou de Deus ou do inferno).

Mas, se “Deus é bom”? Como pôde Ele ter criado o prazer? Só para nos causar medo e insegurança quando perto Dele, ou Dele nos afastarmos por culpa? Este é o arquétipo de um Deus bom, ou de um Deus mal?

A religião cristã é douta em meter medo. Aliás, muitos pastores e padres parecem estar contando estórias de terror quando falam deste “Deus de amor” que castiga e mata. Não são poucos os que seguem uma religião não por amor a Deus, mas por medo de Deus (ou em última instância, por medo do Diabo, funcionário de Deus).

Isto tudo é doentio! Mas se você está chocado com o que leu até agora, gostaria que você se desse a chance de ler o artigo até o final.

JARDIM DAS DELÍCIAS

A palavra Éden significa Jardim das Delícias! Se fosse só um jardim, já seria uma delícia: jardim é algo que dá prazer… Aromas, pássaros cantando, lindas flores, sol na pele e a doce fruta fresca apanhada no pé… Todos os cinco sentidos carnais (dados por Deus) sendo massageados… É o apogeu do prazer! É a carne (físico) alimentando a alma (emoções). Contudo, não era apenas um jardim, mas um de-li-ci-o-so jardim. Cheio de delícias! Um Éden!

Não foi o diabo nem o homem quem criou todos estes prazeres! Ali também tinha sexo! E, para o escândalo dos religiosos, era ao ar livre!

Conforme o relato do texto no Gênesis, o pecado original não tem nada a ver com sexo. Também não tem nada de original, pois tem a ver com desobediência a Deus e vaidade: os dois pecados que, paradoxalmente, continuam levando os religiosos para fora de uma vida de prazeres.

Fazer o que Deus nos pede não nos tira os prazeres da vida. Mas não seguir as orientações de Deus é que nos trará sofrimentos inúmeros, nos limitando uma vida de prazer.

PRAZER SEXUAL

Não! Deus não criou a relação sexual apenas para procriação, mas também para nos dar prazer! Sexo bom é sexo que dá prazer! Se você não tem prazer na relação sexual com seu cônjuge, aconselho os dois procurarem um médico ou um terapeuta. Se Deus não quisesse que houvesse prazer sexual, simplesmente não teria criado o clitóris: “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era tudo muito bom!”

“Por isso Sara riu por dentro e pensou assim: — Como poderei ter prazer sexual agora que eu e o meu senhor estamos velhos?” (Gênesis 18:12). A lógica é simples: se Sara não tinha mais prazer sexual com Abraaão porque estava velha, significa que sentia prazer antes, quando era nova.

“Como você é linda, minha querida! Como você me dá prazer!” (Cantares 7:6). Esta é uma frase bíblica que deveria estar na boca de todos os cônjuges…

PRAZER EXISTENCIAL

O Espírito Santo de Deus inspirou o Rei Salomão a escrever na Bíblia o seguinte:
“Assim, eu compreendi que não há nada melhor do que a gente ter prazer no trabalho. Esta é a nossa recompensa. Pois como é que podemos saber o que vai acontecer depois da nossa morte?” (Eclesiastes 3:22).
Imagine: se trabalhamos oito horas diariamente e este é o nosso principal tempo, quão desgraçada é a pessoa que não sente prazer no que faz? Mais que um castigo, trabalho deve ser uma alegria e um prazer. Se você está profissionalmente infeliz, ore e busque maneiras concretas de mudar este cenário.

Mas Salomão foi adiante, e como um bom filósofo a serviço de Deus, declamou esta ode ao prazer:
“Por isso, estou convencido de que devemos nos divertir porque o único prazer que temos nesta vida é comer, beber e nos divertir. Podemos fazer pelo menos isso enquanto trabalhamos durante a vida que Deus nos deu neste mundo.” (Eclesiastes 8:15).
Sim, isto não apenas está escrito na Bíblia, como se tornou um estilo de vida judeu – um povo festeiro e dançarino, que sempre soube celebrar a vida com suas muitas festas.

Deus já aceitou você (por intermédio de Cristo). Ele aceitou você como é, não você como deveria ser, pois você jamais será como você deveria ser… A verdadeira religião é viver uma vida que agrade a Deus, amando a si mesmo, amando a vida – que é um presente de Deus – e amando as pessoas. Resumindo: Deus quer que tenhamos uma vida que nos dá prazer e que dê prazer para aqueles que conosco convivem:
“Portanto, vá em frente. Coma com prazer a sua comida e beba alegremente o seu vinho, pois Deus já aceitou com prazer o que você faz.” (Eclesiastes 9:7)

“Consegui tudo o que desejei. Não neguei a mim mesmo nenhum tipo de prazer. Eu me sentia feliz com o meu trabalho, e essa era a minha recompensa.”: Para os religiosos este versículo bíblico de Eclesiastes 2:10 beira a heresia, já que religião e Deus têm estado tão distantes.

EXCESSOS

Creio que muitas vezes os religiosos, quando execram os prazeres, estão querendo na verdade amaldiçoar os excessos. Nesta falta de discernimento, coam mosquitos e deixam um camelo inteiro passar despercebido. No afã de controlar excessos, controlam tudo! Entendo que algumas pessoas são mesmo descontroladas, mas não é o caso de todas as pessoas! Se você não consegue se controlar, não significa que o outro seja assim como você!

De fato, os excessos são mesmo condenáveis. Todo excesso é pecado! Até excesso de igreja é pecado. A Bíblia nos ensina:

Posso beber. Só não devo embriagar-me! (A embriagues não apenas faz mal a si mesmo, como também a todos os que estão por perto, principalmente os familiares.)

Posso comer. Só não devo entregar-me à glutonaria! (Comer muito é um pecado que no meio religioso não é considerado mais pecado. Alguns pastores que eu conheço até fazem competição em churrascaria… Uma carnalidade relativizada e permitida.)

Posso transar. Mas não devo ter um estilo de vida no qual o sexo ocupe uma posição central. (Mais que uma punção biológica, sexo em excessivo pode demonstrar um desequilíbrio emocional-afetivo, um parafuso que está solto em algum lugar da alma…)

Posso me divertir, mas AMAR o entretenimento, AMAR a televisão, AMAR a internet, AMAR o cineminha e colocar estas coisas antes das demais é um caminho ruim… Amor é exagero. Todo excesso é ruim. O mesmo Salomão que nos instiga a viver com prazer, nos adverte que o amor aos prazeres (ou seja, os excessos), são um pecado:
“Quem ama os prazeres passará necessidade; quem ama o vinho e a boa comida nunca ficará rico.” (Provérbios 21:17).
Este versículo não elimina o que Salomão disse antes, mas ele procura alertar o seguinte: excessos empobrecem!

Recebemos uns novos amigos aqui em casa esta semana e foram momentos de muito prazer! Minha esposa preparou um salmão espetacular para servi-los e sobrou algumas postas. Agora eu vou jantar este salmão maravilhoso: hora do prazer! Estão servidos?

Luciano Maia

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Madeline Sharafian, uma estudante da Universidade de Artes da Califórnia, acaba de lançar seu curta, intitulado como “Omelette”. O vídeo conta a história de um homem deprimido que, ao chegar em casa, é recebido pelo seu cãozinho que, discretamente, ajuda-o a fazer um omelete. Segundo a autora, o vídeo tem relação com a sua família, que um ajuda a cozinhar e fazer comida para o outro.
Viva com mais prazer!

 

 

 

 

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Por que o justo sofre?

A vida de Jó sempre me fascinou.
Existem muitos aspectos de sua existência que podem ser analisadas e discutidas, mas tem uma coisa que me chama muito a atenção: Porque o justo sofre?
Nos é contado que Jó era o cara mais temente ao Senhor em toda a face da terra! Uau!!! Mereceria o Oscar de Melhor Bonzão! Ou o Nobel da Bondade Eterna!

Jó é descrito como um cara próspero, rico mesmo, mas que não punha o seu coração nas riquezas. Um cara que se preocupa com a família. Orava e fazia sacrifícios pela família, ajudava os necessitados, se afastava do mal e tudo o mais que todos nós gostaríamos de ser e de fazer mas que não somos e nem fazemos. Jó era o “orgulho” de Deus!

Mas Jó perde tudo, todos os bens, todos os filhos, todos os empregados. Fica pobre porque Deus deixa Satanás tocar o terror na vida dele. Tudo o que Jó disse para a vida foi o seguinte: “Eu vim pelado a este mundo… Vou voltar pelado de onde eu vim. Deus me deu as coisas, Deus me tirou. Louvado seja Deus”

Finalmente, perde também a esposa e a saúde e vira um escândalo público: “Coitado do cara…”, alguns diziam. Outros ainda:
“_Há! Mereceu! Sempre achei ele um cara metido”;
“_Nossa, Deus é justo, porque este Jó era muito chato”;
“_Aposto que Ele é um pecador e está colhendo os frutos dos seus erros: Lei da ação e reação… ”; “_Deus é justo. Tem pecado aí”;
“_Agora ele está tomando uma lição da vida. Bem feito”;

Nossa… quantos “amigos” Jó tinha!

O ser – humano tem disto, muitas vezes nos alegramos com nossas vitórias, mas muitas outras nos alegramos com as derrotas alheias, sentimento fruto da maldade humana. A inveja é mesmo uma m…

O que foi que Jó realmente fez para merecer o seu infortúnio? A estória nos conta que nada, além de ser muito bom! Se Jó não fosse lá tão bom assim, Deus não o perturbaria, mas não deixaria que o mal o tocasse. Mas… Jó era bom. Um homem bom e Deus sabia que Jó, mesmo ante os infortúnios da vida, jamais O negaria, ao contrário, Jó não amaldiçoaria Deus jamais, posto seu coração não estar nas coisas, mas em Deus.

Para Jó o que importava era ter Deus no coração e não dinheiro em conta corrente ou saúde para dar e para vender na promoção. Satanás acusou Jó de somente amar Deus em razão da boa vida que ele tinha. Deus pagou pra ver: “Satanás, pode tocar na vida dele á vontade. Você vai ver que o coração de Jó, Satanás, não está nas coisas que a vida concedeu de bom a ele, mas o coração Dele está no que é eterno”. Sim, Jô amava deus acima de todas as coisas.

A estória nos conta que Jó sofreu muito e morreu sem entender o que havia acontecido na vida dele, mas, mesmo sem respostas, jamais negou Deus.

Teve um período da minha vida em que me sobreveio doença e infortúnio, não como Jó, mas num grau muito inferior ao sofrimento deste personagem. Lembro-me que eu me perguntava porque Deus estava permitindo aqueles acontecimentos… Nunca obtive respostas claras de Deus. Contudo, muitas pessoas tinham suas opiniões claras sobre o meu caso, mesmo que díspares entre si. Até hoje não tenho respostas claras, apenas pistas. Uma coisa sei, um dos resultados foi o fato de Deus ter me tornado um pastor. Deus faz costuras que nem suspeitamos. Se este foi o único objetivo, creio que tenha valido a pena.

E meio ao meu sofrimento, lembrava de Jó e pensava: Se minha vida a Deus pertence, que Ele faça dela o que achar melhor.

Não vale à pena reclamar da vida.

No final da vida, Jó diz o seguinte a Deus: “Antes eu conhecia você de ouvir falar, mas agora de andar com você”. Vamos voltar à pergunta inicial: Porque o justo sofre? As razões podem ser muitas, mas a dor amolece o nosso coração e sempre nos transforma numa pessoa melhor e mais humana, mais sensível ao sofrimento alheio e menos arrogante.

Eu tenho muito ainda o que aprender, mas uma coisa eu sei: Deus é soberano sobre todos os acontecimentos da nossa vida e o que quer que ainda me aconteça nesta vida, somente me transformará numa pessoa menos pior.

 

 

Luciano Maia

 

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Por falar em sofrimento, o serviço militar já foi sinônimo de sofrimento para muita gente. Eu mesmo me lembro do terror que foi pra eu conseguir uma “dispensa” há 25 anos atrás.

Para quem acha o serviço militar um sofrimento, lá vai um vídeo bem engraçado!

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=u1Et2iAptiY]

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EU TAMBÉM APRENDI.

Lembro-me no início de minha vida como discípulo de Jesus de Nazaré, eu devia ter uns dois anos de cristão praticante e uns 21 anos de idade, quando bati com o veículo da empresa e fui duramente confrontado pelos meus sócios quando disseram: “Este é o seu Deus? Se Deus estivesse realmente contigo você não teria destruído o carro da firma. Este papo de crente não faz sentido”.
Fiquei muito confuso na época, não tinha resposta para dar, nem a eles e nem a mim mesmo. Mas algo me dizia que Deus não tinha errado. “Um dia entenderei isto”, pensava. Hoje, alguns anos de problemas, oração e leitura do Evangelho depois, eu consigo entender mais algumas coisas, mas sei que muito ainda tenho que aprender.
Aprendi algumas coisas:
Aprendi que Jó somente se deu mal na vida porque ele era um homem bom e fiel ao Senhor, o seu Deus. Ele foi alvo de uma discussão entre Deus e um dos seus servos, o diabo. Para provar que estava certo em sua opinião, Deus permitiu que o diabo aprontasse “o diabo” na vida de Jó, que permaneceu fiel, mesmo sem nunca ter entendido nada do que acontecera.
Aprendi também que Lázaro somente sofreu tanto com sua enfermidade, a ponto de morrer doente, porque ele era amigão de Jesus. Paradoxal novamente. Jesus, quando foi chamado pelos familiares por causa da grave enfermidade do amigo Lázaro, demorou-se propositalmente para aguardar o óbito. Só depois ele partiu para o vilarejo de Betânia, para ver duas irmãs chorosas pela perda do irmão, arrimo de família, que já era um cadáver sepultado. Aprendi que Jesus não queria a cura de Lázaro, queria algo muito maior, algo inusitado, inesperado, não-planejado, imprevisível, impossível, queria o impensável. Aprendi que Jesus não queria atender às orações das pessoas, pedindo cura, mas queria que vissem que ele, Jesus, não era apenas mais um andarilho curandeiro, mas que em suas mãos repousavam o poder que nenhum outro “iluminado” tinha: o de extrapolar os limites da vida e da morte. A morte, pânico para os reis, imperadores e famosos em geral, está submissa às ordens de Jesus.
Aprendi que pessoas que estão próximas de Deus têm problemas, como todas as outras, com a diferença que os problemas não estão fora do controle de Deus, mas Deus os vê e os permite visando um bem maior. No caso de Jó e Lázaro, o ganho foi a ampliação da fé deles e a oportunidade de saberem que Deus não é um conceito, mas um fato.
Aprendi que os problemas nos aproximam de Deus.
Aprendi também que na dor nosso coração amolece.
Aprendi que após os problemas passamos a ser mais compreensivos com a dor alheia.
Aprendi que ninguém sai de uma experiência dolorosa da mesma forma.
Aprendi que é verdade o adágio popular: “Crescer dói.”
Aprendi que os problemas da minha vida não estão fora do controle de Deus, mas que alguns deles foram até permitidos ou planejados por Deus, para o meu doloroso, mas necessário, crescimento como pessoa. Por isso, posso minimizar minhas angústias, medos e ansiedades, pois aprendi que não estou sozinho enfrentando a vida, estou sim, sendo treinado, pelo coach dos coachs, que não quer o meu mal, mas me ver maduro, forte e preparado. Uma pessoa melhor.
Aprendi que, assim como a cura não fazia parte dos planos de Deus para a vida de Lázaro, algumas vezes também não somos ouvidos em nossas orações, posto que Deus tem algo surpreendentemente melhor lá na frente. Algo que não podemos suspeitar. Algo impensável. Bom demais para ser verdade.
Aprenda isto.

 

Este vídeo abaixo é legal e muito difundido na internet. Mas é um texto apócrifo, como tantos que são atribuídos a Veríssimo, Drummond, Quintana, e sei lá. Talvez os autores sejam tímidos, ou quem sabe usando esses nomes famosos o texto ganha status e anda mais rápido. Portanto, o texto abaixo, apesar de útil, inspirador e lindo, não pertence a William Shakespeare. (Se alguém tiver informações complementares, me informe.)

VÍDEO SENDO BAIXADO – MAS JÁ PODE SER ASSISTIDO CLICANDO NESTE LINK ABAIXO:

 

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